A produção industrial do Brasil registrou em agosto de 2023 a pior performance para esse mês em 11 anos, conforme dados da Sondagem Industrial divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (21). O índice que avalia a evolução da produção industrial caiu 4,7 pontos, passando de 51 para 46,3 pontos, o que indica um cenário de retração.
Esse resultado marca a segunda vez em uma década em que o índice ficou abaixo da linha de 50 pontos para o mês de agosto, sendo a outra ocasião em 2025. Tradicionalmente, desde 2015, esse indicador se mantinha acima de 50 pontos no oitavo mês do ano, refletindo um padrão de crescimento que não se apresentou em 2023.
Além do declínio na produção, outros indicadores da pesquisa também mostraram uma diminuição na atividade industrial. A utilização da capacidade instalada das indústrias recuou 1 ponto percentual, alcançando 69%. Esse resultado está 2 pontos percentuais abaixo da média histórica para agosto.
O índice que mensura a evolução do número de empregados no setor industrial também apresentou um recuo, passando de 48,6 para 48,2 pontos. Essa queda significa que a expectativa é de uma redução no emprego dentro do segmento industrial. Os estoques finais de produtos também diminuíram, com o indicador caindo de 51 para 49,5 pontos, indicando uma redução nos estoques entre julho e agosto.
A CNI aponta que a diminuição da produção está associada à queda na demanda por produtos industriais, além do aumento das incertezas no cenário econômico. As expectativas das empresas também refletem essa cautela, pois o índice de intenção de investimento registrou uma queda de 1,3 ponto, passando de 52,6 para 51,3 pontos. Este é o menor nível desde agosto de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, e marca a quarta queda consecutiva, acumulando uma diminuição total de 3,5 pontos desde maio.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, mencionou que essa queda expressiva reflete a desaceleração da atividade industrial e as crescentes incertezas econômicas. Apesar das quedas nos índices, as expectativas para a demanda por produtos e a compra de insumos permanecem acima de 50 pontos, sugerindo que as empresas ainda esperam um aumento nesses aspectos nos próximos seis meses, embora a um ritmo reduzido.



