Durante sua participação na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou o espaço para criticar a tarifaço comercial imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O discurso ocorreu a apenas 12 dias do primeiro turno das eleições gerais no Brasil, e Lula aproveitou para realizar uma campanha em defesa da democracia.
Lula, embora não tenha mencionado diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou a interferência externa nos assuntos do Brasil. O presidente enfatizou que o país "não cabe no quintal de ninguém" e que é necessário buscar parceiros que promovam uma agenda positiva para o desenvolvimento. O líder brasileiro argumentou que as diferenças ideológicas não devem ser um impedimento para a integração entre nações vizinhas.
Em sua fala, o presidente destacou que o governo brasileiro possui "autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental". Ele mencionou que a Organização Mundial do Comércio se encontra em uma situação crítica, afirmando que "quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas".
Lula também se referiu ao Estreito de Ormuz, afirmando que se tornou uma trincheira de guerra, apesar de seu potencial como passagem vital para o comércio internacional. O presidente ressaltou que o aumento nos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos afeta famílias ao redor do mundo.
O líder brasileiro apontou ainda uma "profunda crise de liderança" global, citando que o ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Ele alertou que trilhões de dólares estão sendo investidos em uma nova corrida armamentista, e pediu que os líderes dos países que compõem o Conselho de Segurança se reúnam para agir com responsabilidade e urgência.
Lula destacou que o mundo deve escolher entre multilateralismo e unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação. Em um momento controverso do discurso, ele também criticou o governo de Israel, mencionando o que chamou de "genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza", e afirmou que civis israelenses sofrem as consequências do radicalismo e da intolerância promovidos por atos terroristas do Hamas.



