O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um discurso incisivo nesta quarta-feira (23) na Assembleia Geral da ONU, onde expressou a posição de Teerã frente à escalada do conflito com Washington e Israel. Ele afirmou categoricamente que o país não se ajoelhará diante das pressões externas, em uma clara referência aos Estados Unidos.
Em sua fala, Pezeshkian acusou os Estados Unidos de praticar terrorismo, citando o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, antigo líder supremo do Irã, ocorrido no fim de fevereiro. O presidente iraniano apresentou uma foto de Khamenei durante seu discurso, enfatizando que Teerã não deu início ao atual conflito, que se alastrou pelo Oriente Médio.
Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, também discursou na ONU, onde mencionou a possibilidade de “aniquilar” o Irã, mas, logo após, elogiou os diálogos entre os dois países. Apesar disso, Pezeshkian não fez menção às reuniões que ocorreram à margem da assembleia da ONU, que visavam a resolução do conflito.
“Donald Trump deve saber que a resiliência do povo iraniano só aumentará diante das sanções e da crescente pressão. Nunca baixaremos a cabeça ou nos ajoelharemos”, destacou o presidente do Irã. Ele também afirmou que seu governo não permitirá o uso do Estreito de Ormuz para agressões contra o país.
Em resposta aos ataques ocorridos em 28 de fevereiro, Teerã bloqueou essa passagem marítima, considerada crucial para o comércio global de petróleo. Essa ação provocou uma instabilidade nos mercados e um aumento significativo da inflação devido à alta nos preços do petróleo.
O fechamento do Estreito de Ormuz representa um desafio significativo para o Partido Republicano de Trump, que se prepara para as eleições legislativas de meio de mandato em novembro, onde pode perder o controle do Congresso. “Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso a essa via de navegação, enquanto usam esse espaço para nos impor sua agressão”, finalizou Pezeshkian.



