O recente reajuste do Bolsa Família pelo presidente Lula, realizado a poucas semanas das eleições, gera polêmica e críticas quanto ao uso político de um programa social que, segundo analistas, perdeu sua essência original. A medida reflete uma prática recorrente, onde benefícios sociais se tornam ferramentas eleitorais.
Historicamente, o Bolsa Família não é uma criação do atual governo. O programa surgiu a partir de iniciativas como o Bolsa Escola e o Bolsa Alimentação, implementadas durante a gestão de FHC. A inspiração para esses programas foi, na verdade, proposta por Milton Friedman, Nobel de Economia, que defendia um auxílio temporário para aqueles que estavam em situação de vulnerabilidade econômica, até que conseguissem uma colocação no mercado de trabalho.
No Brasil, a lógica de um auxílio temporário foi gradualmente substituída. Desde o início do governo do PT, o benefício passou a ser utilizado como moeda eleitoral. A popularidade do presidente Lula entre os beneficiários é notável, com 53% das intenções de voto, superando os 28% de Flávio Bolsonaro, conforme dados do Datafolha. Essa transformação do programa em um favor do governo vigente levanta questões sobre sua eficácia como política pública.
Atualmente, são cerca de 50,1 milhões de beneficiários do Bolsa Família, em um contexto onde 66 milhões de brasileiros em idade ativa estão fora do mercado de trabalho. Essa situação sugere uma relação entre o programa e a falta de mão de obra, especialmente em um momento em que o país necessita de mais trabalhadores para fomentar o crescimento econômico.
Além disso, o impacto financeiro do reajuste é significativo. O orçamento previsto para 2026 é de R$158 bilhões, e o aumento de 15,04%, que foi autorizado por Gilmar Mendes, deve adicionar R$22 bilhões ao orçamento de 2027. Essa situação é lembrada por Thomas Sowell, que destaca que, se uma parte da população recebe sem trabalhar, outra precisa trabalhar sem receber.
A verdadeira eficácia do Bolsa Família deveria ser medida pelo número de pessoas que conseguem deixar o programa, e não apenas pelo número de novos beneficiários. Criar oportunidades para que os cidadãos possam se desvincular do programa requer um líder focado no bem-estar da população e não um governante preocupado apenas com a manutenção do poder.



