As redes varejistas brasileiras têm se adaptado para manter as operações de suas lojas físicas e canais digitais. Em comunicados ao mercado, as empresas destacaram que as ações visam renegociar passivos financeiros com instituições bancárias e recuperar o capital de giro.
Nos últimos anos, o crescimento do faturamento foi considerado um escudo para empresas que enfrentavam estruturas de capital frágeis. Muitas delas priorizaram a expansão das lojas e a conquista de mercado, utilizando crédito bancário caro e emissão de dívidas como suporte. Contudo, essa expansão acabou mascarando margens operacionais reduzidas e uma gestão de caixa deficiente.
O aumento das taxas de juros comprometeu a viabilidade desse modelo financeiro. No varejo tradicional, as margens líquidas médias variam entre 1% e 3% da receita líquida. Com a Selic em patamares elevados, as despesas financeiras passaram a consumir praticamente todo o lucro antes da incidência de impostos.
O Monitor RGF-BizDoc registrou que 6.341 empresas se encontram em recuperação judicial ativa no primeiro semestre de 2026, um aumento de 6,2% em relação ao fechamento de 2025. Além disso, a inadimplência empresarial atingiu a marca de 9,1 milhões de empresas com contas em atraso, conforme dados da Serasa Experian.
Os desafios se intensificaram com a inadequação no planejamento de compras, que agravou a situação de caixa das companhias. De acordo com o Panorama do Comércio da FecomercioSP, 28,8% dos comerciantes da capital paulista relataram estoques acima do desejado, índice que representa o maior nível de excesso de mercadorias desde março de 2023.
Nos primeiros seis meses do ano, o varejo paulista registrou uma perda de faturamento totalizando R$ 44,7 bilhões, com uma queda de 5,7% em comparação ao ano anterior. Para lidar com os produtos estagnados, as empresas têm promovido queimas de estoque com descontos significativos, o que, por sua vez, tem reduzido as margens brutas sem proporcionar a liquidez necessária para o pagamento das dívidas.



