Pesquisadores da Fundação Dom Cabral (FDC) apontam que o tempo e a atenção do fundador não acompanham o crescimento da empresa. A trajetória da Magazine Luiza, sob a liderança de Frederico Trajano, exemplifica essa situação. Frederico assumiu a presidência em janeiro de 2016, após um período de dois anos se preparando para suceder Marcelo Silva, que ocupou o cargo por seis anos. A centralização das decisões ainda recaía sobre o CEO, mesmo com o crescimento da empresa.
A Magazine Luiza foi fundada em 1957 por Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato, tios-avós de Frederico. Em novembro de 2015, a empresa anunciou Frederico como novo CEO, sucedendo Marcelo Silva, que teve a missão de prepará-lo para o cargo. Embora Luiza tenha se afastado das operações diárias, ela continuou a desempenhar funções importantes, como a ouvidoria e o relacionamento com os clientes. O Conselho de Administração deliberou sobre a proposta de Luiza, vice-presidente do conselho, assumir sua presidência, enquanto Silva passaria a ser vice-presidente.
Frederico começou sua gestão em um período desafiador. Nos primeiros nove meses de 2015, a empresa reportou vendas de R$ 6,4 bilhões, o que representou uma queda de 8,6% em comparação ao mesmo intervalo de 2014. Além disso, as ações da companhia apresentaram uma desvalorização de 82% até 17 de novembro de 2015. Contudo, o valor de mercado da Magazine Luiza teve uma recuperação significativa, subindo de R$ 392 milhões no início de 2016 para R$ 13,2 bilhões em setembro de 2017.
De acordo com Elismar Alvares e Selma Rodrigues, da FDC Family Business, a sucessão eficaz deve começar antes da transição formal de cargos. Em muitos casos, a troca de liderança ocorre, mas a concentração de poder permanece com o antigo gestor. No caso da Magazine Luiza, a estrutura organizacional foi reformulada para permitir uma melhor distribuição de responsabilidades.
Uma pesquisa realizada pela McKinsey em 2019 revelou que 37% dos executivos entrevistados afirmaram que suas organizações equilibram qualidade e agilidade nas decisões. Entretanto, a Magazine Luiza, sendo uma empresa de grande porte e capital aberto, apresenta características que a diferenciam da realidade das médias e pequenas empresas. Sua valorização também é resultado de estratégias como a digitalização, redução de dívidas e condições favoráveis de mercado, não sendo possível atribuir seu sucesso exclusivamente à mudança na liderança.
Os especialistas Amui e Diego Marconatto destacam que a proximidade entre a média empresa e o tomador de decisões pode, quando bem administrada, acelerar processos. Eles argumentam que o que frequentemente falta é a qualidade das decisões, e não a rapidez. A participação do proprietário nas decisões varia conforme o porte, setor e estágio da empresa, e refletir sobre as aprovações que ocorrem repetidamente pode ajudar a equipe a assumir mais responsabilidades com limites definidos.



