Parlamentares e dirigentes da oposição na Argentina apresentaram um pedido de interpelação a membros do gabinete do presidente Javier Milei para que expliquem uma eventual ajuda na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país em direção aos Estados Unidos. O senador, sua esposa e as duas filhas entraram na Argentina na noite de terça-feira (27) pela província de Misiones e, cerca de duas horas depois, decolaram de Puerto Iguazú em um avião privado com escala no Equador.
O deputado Agustín Rossi, da ala peronista de oposição, confirmou o pedido nas redes sociais. "Bolsonaro fugiu. Milei o ajudou. Já apresentamos o pedido de interpelação ao chefe de gabinete, Diego Santilli, para que preste contas perante o Congresso", declarou. O bloco oposicionista União pela Pátria também questionou o governo sobre a razão de a aeronave não ter sido retida nem a decolagem atrasada enquanto se verificava a situação judicial do passageiro, citando a implicação do caso para a relação bilateral.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é alvo de investigações judiciais em curso no Brasil. A Justiça havia proibido sua saída do país e cancelado seus passaportes, mas não havia ordem de prisão. O senador ainda não reconheceu a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os parlamentares argentinos perguntaram ainda por que o comunicado que confirmou a entrada e a saída de Bolsonaro foi divulgado somente após a decolagem. "Quem deu a ordem para que fosse assim?", questionaram. Além disso, solicitaram ao governo que confirmasse uma informação publicada pelo jornal La Nación sobre a presença do assessor presidencial Santiago Caputo no aeroporto internacional de Puerto Iguazú horas antes da decolagem do voo.
As autoridades argentinas informaram na madrugada desta quarta-feira (28) a entrada e a saída de Bolsonaro, que viajou aos Estados Unidos com a esposa e as duas filhas em um voo privado com escala no Equador.



