O atacante Kylian Mbappé, do Real Madrid, segue sob forte reação negativa na China depois de comentários sobre o antigo líder Mao Tsé-Tung. Vídeos de torcedores queimando camisas do jogador e removendo sua imagem de cartazes publicitários circulam nas redes sociais. Empresas chinesas encerraram acordos comerciais com o francês, e plataformas digitais restringiram suas contas.
A repercussão teve origem quando um trecho de uma entrevista do programa francês The Bridge voltou a circular. No vídeo, Mbappé comenta uma montagem que colocava seu rosto sobre a imagem do líder chinês e se refere a Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China em 1949, como "ditador".
Na terça-feira (27), o jogador publicou um pedido de desculpas em francês, chinês e inglês. Ele reconheceu o comentário inadequado e afirmou ter compreendido que suas palavras magoaram pessoas na China e comunidades chinesas pelo mundo, além de declarar respeito ao povo chinês e à sua história. Ainda assim, as plataformas Weibo e Xiaohongshu impuseram restrições às contas do atacante, incluindo o bloqueio da possibilidade de conquistar novos seguidores, segundo a agência AFP.
No campo comercial, três empresas chinesas anunciaram o fim de parcerias com Mbappé: a Dongpeng, fabricante de bebidas energéticas, e as companhias de laticínios Mengniu e Milkground. As marcas já haviam usado a imagem do francês em campanhas publicitárias. A crise também atingiu o futebol espanhol: o China Media Group (CMG), responsável pela emissora estatal CCTV, suspendeu as transmissões da La Liga.
A La Liga lamentou na terça (27) a ofensa causada pelos comentários aos torcedores chineses e afirmou que as declarações foram uma manifestação pessoal do jogador, indicando a intenção de criar mecanismos de comunicação para evitar episódios semelhantes. Nesta quarta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores da China comentou o pedido de desculpas. O porta-voz Guo Jiakun disse que o governo leva a manifestação a sério, mas a declaração não encerrou a crise.



