De Divertida Mente 2 a Guerreiras do K-Pop, longas animados tratam de ansiedade, luto e identidade com uma profundidade que muitos filmes “de gente grande” não alcançam
A ideia de que animação é coisa de criança não resiste a uma boa maratona. Nas últimas décadas, longas animados passaram a tratar de luto, ansiedade, guerra e identidade com camadas que só o público adulto percebe por completo.
Um dos exemplos recentes mais bem-sucedidos é Divertida Mente 2 (2024). A continuação da Pixar acompanha Riley aos 13 anos, quando a puberdade leva novas emoções ao painel de controle, entre elas Ansiedade, Inveja, Tédio e Vergonha. O retrato da ansiedade gerou identificação imediata entre adultos e ajudou o filme a se tornar uma das maiores bilheterias da história da animação.
Quem ainda tem dúvida se vale a sessão encontra a resposta para a pergunta Divertida Mente 2 é bom? na crítica publicada pelo OverFlix.
Outros títulos que conversam com o público adulto:
Up: Altas Aventuras (2009) – A sequência inicial, que resume sem diálogos décadas da vida de um casal, está entre as mais comoventes do cinema. O filme venceu o Oscar de Melhor Animação e concorreu a Melhor Filme.
A Viagem de Chihiro (2001) – A obra-prima de Hayao Miyazaki, vencedora do Oscar de Melhor Animação, transforma a passagem para a vida adulta em uma jornada por um mundo de espíritos.
Persépolis (2007) – Baseado nos quadrinhos autobiográficos de Marjane Satrapi, o filme acompanha uma menina que cresce durante a Revolução Iraniana e o exílio na Europa.
O Menino e o Mundo (2013) – O longa de Alê Abreu, sem diálogos compreensíveis, usa traços simples para falar de desigualdade e trabalho. Foi a primeira animação brasileira indicada ao Oscar.
Flow (2024) – Também sem falas, a aventura de um gato em meio a uma inundação venceu o Oscar de Melhor Animação, superando justamente Divertida Mente 2.
Memórias de um Caracol (2024) – A animação em stop-motion de Adam Elliot aborda perda, solidão e resiliência com humor melancólico e foi indicada ao Oscar.
Guerreiras do K-Pop (2025) – O fenômeno da Netflix sobre um grupo de cantoras que caça demônios em segredo fala sobre vergonha e aceitação. O filme venceu os Oscars de Melhor Animação e Melhor Canção Original, por “Golden”.
Em comum, essas obras provam que a animação é uma linguagem, não um gênero. E, como qualquer linguagem, pode contar histórias para todas as idades, inclusive aquelas que só os adultos conseguem decifrar por inteiro.



