O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve começar nesta semana as conversas para montar a equipe ministerial do seu quarto mandato. Em reunião reservada com dirigentes do PT, o petista indicou que quer promover uma renovação na Esplanada dos Ministérios, com novos nomes em parte das pastas. Lula retorna do feriado na terça-feira (3), quando deve iniciar as discussões sobre as indicações.
Entre os cotados está o deputado federal André Janones (Rede-MG), que pode assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República, atualmente comandada por Guilherme Boulos (PSOL). Segundo uma fonte do governo, Janones ganhou espaço durante a campanha eleitoral de 2026 e administra o grupo de WhatsApp "Exército do Lula", usado para mobilizar apoiadores nas redes sociais. A possível indicação ainda depende de decisão do presidente.
A composição com o PSB também está entre as prioridades. Pelo acordo político da coligação, a legenda deve ocupar pelo menos dois ministérios. Uma das pretensões do partido é assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e o nome mais forte para a pasta é o de João Campos, presidente nacional do PSB, segundo uma fonte ouvida. Ex-prefeito do Recife, Campos foi derrotado por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo de Pernambuco no primeiro turno. Outra possibilidade é a permanência de Paulo Pereira no Ministério do Empreendedorismo.
Simone Tebet (PSB) também deve ser contemplada com um ministério, mas sua indicação não entraria na cota formal do partido, conforme a apuração. A decisão seria motivada pelo reconhecimento de Lula à atuação da ex-ministra do Planejamento e Orçamento durante a campanha. O nome de Tebet chegou a ser mencionado para o Supremo Tribunal Federal (STF), mas a avaliação interna é que essa escolha dificilmente se concretizará. Para uma vaga no Supremo, o nome considerado mais forte é o da ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que enfrentaria menos resistências no Senado.
A escolha do próximo ministro da Fazenda é uma das mais aguardadas. Segundo a apuração, dois nomes aparecem entre os cotados: o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Fonteles negou publicamente ter discutido com Lula ou qualquer interlocutor a possibilidade de assumir um cargo no próximo governo. Em manifestação na última quinta-feira (29), também afirmou desconhecer uma eventual visita do presidente ao Piauí para tratar do assunto. Já é tratado como certo nos bastidores que o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, não permanecerá no comando da pasta. As primeiras definições são esperadas ainda nesta semana, após o retorno do presidente a Brasília, sem confirmação oficial até o momento.



