O produtor musical Rafael Vanucci fez um relato emocionado sobre os últimos momentos de vida do cantor sertanejo Cristiano Araújo, que morreu em um acidente de trânsito em 2015, ao lado da namorada, Alana Moraes. Vanucci acompanhou de perto toda a tragédia. Tudo começou após um show em Itumbiara (GO). Exausto, Vanucci dormia em um hotel quando recebeu uma ligação urgente. “O Toninho me ligou dizendo que tinha acontecido um acidente muito grave e que a Alana provavelmente tinha morrido”, contou. Desesperado, o produtor seguiu imediatamente para o local. Ao chegar, encontrou Cristiano ainda com vida. “Ele estava na pista, gritando meu nome”, relatou. O cantor foi socorrido e levado para um hospital em Morrinhos, mas o local não tinha estrutura adequada. “O hospital estava em reforma, escuro, sem recursos. Ali eu vi que não tinha como”, afirmou. Diante da situação, Vanucci tentou viabilizar uma transferência aérea para Goiânia, mas o helicóptero só pôde decolar ao amanhecer. Após uma longa e tensa madrugada, Cristiano foi transferido, mas morreu pouco depois de dar entrada no hospital da capital. “Eu cheguei em Goiânia minutos depois e recebi a notícia da morte. Logo em seguida, tive que ir falar com a imprensa”, disse. Vida de artista Além do relato sobre o acidente, Vanucci aproveitou a entrevista para fazer críticas à rotina exaustiva imposta aos artistas. Ele contou que vivia praticamente 24 horas por dia dedicado à carreira de Cristiano, cuidando de logística, imprensa e decisões estratégicas. “A gente vive um modo 360. Não tem descanso”, afirmou. Para o produtor, a indústria da música falha ao não impor limites. “Ter 20 shows em um mês pode acontecer em um pico de carreira, mas isso não pode ser a vida inteira. O artista precisa descansar, tirar férias, ser humano”, defendeu. Ele também destacou que a vida na estrada pode afastar o artista da realidade. “Hotel, avião, palco… chega uma hora que você perde a humanidade. Não vai mais à padaria, não busca um filho na escola”, refletiu. Ao falar de Alana, namorada de Cristiano, Vanucci disse que ela trouxe equilíbrio ao cantor. “Ela trouxe paz, trouxe calma. O Cristiano estava no melhor momento da carreira e da vida pessoal”, afirmou. Para ele, a morte dos dois juntos representa “uma história de amor muito forte” e uma “grande lição”. O produtor encerrou o relato reforçando que fama e sucesso não podem custar a saúde e a vida. “Artista não é máquina. É gente”, concluiu.

