Foz do Iguaçu não está bem na fita quando se trata de renda domiciliar per capita e vive um paradoxo. Uma cidade que recebe vultosos investimentos públicos e privados convive com perversa desigualdade. A renda per capita familiar em Foz está na casa dos R$ 1.911,00, o 14º lugar entre as 40 cidades mais populosas do Paraná.
Essa desigualdade leva à metáfora (Belíndia) criada em 1974 pelo economista Edmar Bacha para descrever a profunda desigualdade social e econômica do Brasil. A cidade que recebe três milhões de turistas por ano e movimentou US$ 5 bilhões no seu corredor logístico fica atrás de outras cidades.
Os dados do IBGE mostram Foz do Iguaçu atrás de Curitiba, Maringá, Londrina e outras cidades. A estrutura de concentração da renda repete o padrão brasileiro, com 90% da renda apropriada por 10% da população. Especialistas apontam que a renda domiciliar per capita está diretamente relacionada a fatores como estrutura produtiva, nível de escolarização da população e capacidade de geração de empregos qualificados.
Os dados utilizados no levantamento pelo IBGE são considerados os mais completos sobre renda já produzidos no país nesta década. Diferentemente das pesquisas por amostragem, o censo de 2022 coletou informações diretamente em todos os domicílios brasileiros, permitindo uma análise detalhada da realidade econômica de cada município.

