Semana passada, eu estava num aniversário infantil, do amigo do meu filho, cujos pais também são meus amigos, e lá discutimos vários assuntos sérios apropriados ao ambiente de festa de criança.
Aquele papo era, de fato, o resumo de toda opinião de senso comum que gira em torno de pais preocupados com a influência das tecnologias nas vidas dos filhos, bem como suas racionalizações sobre o assunto.
No entanto, acredito que estamos perdendo o principal ponto nesse caminho crítico. De fato, existem muitos problemas que advêm de uma criança com uma vida digital aberrantemente ativa: agressividade, falta de experiência social, exposição a conteúdos inadequados — da pornografia ao contato com possíveis abusadores —, desempenho patético em tarefas cotidianas e escolares, porém, o mais profundo e, talvez, o que gere num longo prazo o maior dano seja este: o tempo pífio de convívio entre pais e filhos.
Tá ok, eu sei que esse problema vem de épocas imemoráveis, não é de hoje que filhos crescem sem a presença paterna e/ou materna, mas é de nosso tempo a involução absurda do “abandono acompanhado”, isto é, as crianças têm pais por perto, diariamente, as mães cozinham para elas, os pais estão ao redor e, por vezes, sustentam a casa como um bom patriarca.

