O déficit público é uma situação em que o governo gasta mais do que arrecada. Por exemplo, se a arrecadação de impostos e taxas totaliza R$ 100 bilhões, mas as despesas somam R$ 110 bilhões, existe um saldo negativo de R$ 10 bilhões. Essa diferença precisa ser coberta, geralmente recorrendo a empréstimos e à emissão de novos títulos da dívida pública.
Esse cenário impacta o cotidiano do cidadão de três maneiras principais. Primeiro, os juros altos são uma consequência da necessidade de atrair investidores dispostos a financiar o déficit, o que eleva o custo do crédito. Segundo, a inflação pode ocorrer se o governo imprime dinheiro ou gasta excessivamente, resultando em aumento de preços. Por fim, com as contas no vermelho, há menos recursos disponíveis para investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
Apesar dos esforços para alcançar um superávit, o governo frequentemente opera no vermelho. Projeções indicam que a dívida pública federal pode ultrapassar R$ 9,3 trilhões até o final de 2026, com os juros consumindo uma parte significativa do orçamento, estimados em R$ 610 bilhões.
Para entender a saúde financeira do governo, dois indicadores são importantes: déficit primário e déficit nominal. O déficit primário reflete a dificuldade em cobrir despesas do dia a dia, enquanto o déficit nominal representa o custo total da dívida acumulada ao longo do tempo. Um déficit primário negativo indica que o governo não consegue pagar nem as despesas básicas com as receitas do ano.

