Desde a colônia, a saída de recursos do Brasil é um tema complexo. A comparação entre a transferência de ouro no passado e os gastos públicos atuais é reveladora. No auge do ciclo do ouro, entre 1730 e 1760, a transferência representou algo entre 5% e 10% do PIB português. Um fluxo relevante para padrões do século 18.
A carga tributária total no Brasil colonial ficava abaixo dos atuais 32% do PIB. A maior parte do ouro que saiu do Brasil não ficou em Portugal. Por meio de acordos comerciais, como o Tratado de Methuen, o ouro acabou financiando a Revolução Industrial na Inglaterra.
A estimativa mais consistente indica que o Brasil produziu entre 800 e 1.000 toneladas de ouro no período colonial. Desse total, algo como 500 a 600 toneladas foram para Portugal, sendo cerca de 150 a 200 toneladas pelo quinto.
O gasto com funcionalismo público nas três esferas de governo — federal, estadual e municipal — somou, em 2024, cerca de R$ 1,5 trilhão em um único ano. Convertido em ouro, isso representa algo como 4.500 toneladas ou mais de quatro vezes todo o ouro produzido no Brasil colonial.

