A Polícia Federal deflagrou a Operação Bula Fria nas primeiras horas desta quinta-feira, 2. A ação, que conta com a participação da Anvisa, do Ministério Público Federal e da Receita Federal, tem como alvo uma organização criminosa especializada no comércio ilegal de medicamentos de alta complexidade contra o câncer. As operações ocorrem em Aparecida de Goiânia (GO), Ribeirão Preto (SP), Cravinhos (SP) e na capital paulista.
A investigação foca na entrada clandestina de substâncias terapêuticas sem registro sanitário no Brasil. O grupo priorizava medicamentos de alto custo, como o Keytruda (pembrolizumabe), utilizado no tratamento de tumores. Durante a investigação, os policiais descobriram que os criminosos desrespeitavam protocolos de segurança, transportando e armazenando os produtos sem refrigeração, comprometendo a eficácia dos fármacos e colocando a saúde pública em risco.
A Justiça classificou as ações dos envolvidos como graves, incluindo contrabando e comercialização de produtos falsificados ou adulterados. Além disso, o esquema estava vinculado à lavagem de dinheiro e fraudes tributárias. As penalidades para essas atividades podem ultrapassar 20 anos de reclusão, refletindo a seriedade das infrações.
A precariedade no armazenamento dos medicamentos é um dos pontos mais alarmantes. A falta de monitoramento térmico exigido pelos fabricantes pode levar à deterioração dos remédios, tornando-os ineficazes. A Polícia Federal alerta que o consumo de produtos sem procedência pode causar danos irreparáveis, especialmente a cidadãos em situações de vulnerabilidade. Com o término das buscas, os investigadores visam identificar todos os beneficiários da operação criminosa que lucrava com a doença alheia.

