Fazia quase três décadas da fundação. A principal zona comercial da fronteira paraguaia protagonizava um movimento inédito, em que moradores e comerciantes se uniram em uma campanha para combater a imagem de 'paraíso da ilegalidade' e exigir ordem urbana.
Em 1996, Ciudad del Este enfrentava um de seus períodos mais críticos de imagem pública. O que antes era visto apenas como um polo comercial passou a carregar o peso de ser rotulada como um 'paraíso de falsificadores', corredor para o tráfico internacional de armas e drogas.
Diante dessa imagem arranhada, a população e o setor produtivo decidiram que era hora de um 'renascimento'. Em gesto simbólico de sacrifício e união, o Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (CICAP) liderou uma manifestação que paralisou praticamente 100% das atividades comerciais da cidade.
Durante todo o dia, as portas das seis mil lojas que compunham o maior polo de produtos importados das Américas permaneceram fechadas, resultando em uma renúncia de faturamento estimada em US$ 10 milhões. A motivação dos manifestantes ia além da reputação internacional, eles sofriam com a falta de infraestrutura local.


