O Campeonato Brasileiro de 1987 se destaca como um dos episódios mais polêmicos na história do futebol brasileiro. O cerne da questão gira em torno da existência de dois campeões: Flamengo e Sport. Essa controvérsia é resultado de uma crise institucional na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e de um embate jurídico que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No ano de 1987, a CBF anunciou sua incapacidade financeira para organizar o Campeonato Brasileiro em sua forma tradicional. Em resposta a essa situação, treze clubes se uniram para fundar uma liga independente, conhecida como Clube dos 13, que organizou a Copa União. Este torneio, denominado Módulo Verde, contou com 16 equipes e foi amplamente aclamado por sua qualidade técnica e envolvimento do público.
Em contrapartida, a CBF, buscando manter sua autoridade, decidiu criar um Módulo Amarelo, que também reunia 16 times, e incluiu a Copa União Em seu regulamento. O conflito se intensificou quando a confederação estabeleceu que haveria um cruzamento final entre os campeões e vice-campeões dos dois módulos para determinar o campeão brasileiro de 1987.
O Módulo Verde apresentou um alto nível de competitividade, com o Flamengo, liderado por ídolos como Zico e Renato Gaúcho, conquistando o título ao vencer o Internacional na final. O Sport Club do Recife, por outro lado, saiu vitorioso do Módulo Amarelo, ao superar o Guarani. Contudo, a CBF exigiu que, de acordo com seu regulamento, um quadrangular final fosse disputado entre Flamengo, Internacional, Sport e Guarani.
A discordância em relação ao regulamento levou a uma série de disputas judiciais. O Flamengo e o Internacional contestaram a exigência da CBF, alegando que o acordo inicial não previa essa etapa final. A questão foi escalada para o STF, que, em 2017, emitiu uma decisão definitiva sobre a disputa, reconhecendo o Sport Club do Recife como o único campeão brasileiro de 1987. Essa decisão se tornou formal em 2018, tornando inviável qualquer recurso.
A controvérsia em torno do Campeonato Brasileiro de 1987 ilustra a fragmentação entre o Clube dos 13 e uma CBF em crise, além de evidenciar a resistência de Flamengo e Internacional em acatar o regulamento da confederação. Apesar da definição legal, o debate sobre a legitimidade dos títulos ainda ressoa entre os torcedores, perpetuando a divisão entre os clubes e suas respectivas torcidas.



