No dia 25 de abril de 2026, manifestantes tomaram a Avenida Paulista, localizada no centro de São Paulo, em uma mobilização pela aprovação do projeto de lei que visa criminalizar a misoginia. A proposta, que já recebeu aprovação no Senado, está em tramitação na Câmara dos Deputados e foi almejada durante o ato realizado por um grupo de mulheres.
O evento foi organizado pelo Levante Mulheres Vivas e contou com a participação de parlamentares da esquerda, incluindo a deputada federal Érika Hilton (PSol), que preside a Comissão das Mulheres na Câmara. Hilton destacou a importância da mobilização, enfatizando a necessidade de transformar a indignação em ação. A deputada afirmou que já havia solicitado à Mesa Diretora que o projeto fosse pautado com urgência.
A concentração dos manifestantes teve início por volta das 14h, na frente do vão livre do Masp. A maioria do público era composta por mulheres que carregavam cartazes com mensagens de apoio ao projeto. O trânsito na região não precisou ser interrompido durante o ato.
A criação do Grupo de Trabalho (GT) para discutir o projeto de lei foi anunciada na sexta-feira, dia 24, pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, do partido Republicanos. O GT será liderado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e terá um prazo de 45 dias para suas atividades. Ao contrário das comissões permanentes, os grupos de trabalho são formados por deputados designados pelo presidente da Câmara e têm uma estrutura de funcionamento mais flexível.
Esses grupos temporários são essenciais para discutir temas específicos e podem incluir audiências públicas, reuniões técnicas e diálogos com especialistas e a sociedade civil. Embora não tenham poder para aprovar leis, os GTs exercem uma influência política significativa, pois costumam apresentar relatórios que facilitam a tramitação de propostas no plenário.
A formação de um Grupo de Trabalho pode ser vista como uma estratégia da liderança da Câmara para controlar o andamento de discussões sensíveis, evitando que propostas avancem sem a devida articulação prévia nas comissões ou no plenário. Assim, o trabalho do GT pode ajudar a construir um consenso que minimize resistências e acelere a votação do projeto que busca equiparar a misoginia ao crime de racismo.



