A década de 1980 foi marcada por um fenômeno econômico em Foz do Iguaçu, evidenciado pela intensa presença de argentinos na cidade, conforme reportagens da época. O jornal Hoje Foz, em 1980, destacou que o período correspondeu a um dos momentos mais significativos de entrada de turistas argentinos na região das Três Fronteiras. Esse movimento, que ecoa uma fase semelhante na década de 1960, foi impulsionado pela desvalorização do cruzeiro, a moeda brasileira, tornando os produtos no Brasil extremamente atrativos para os consumidores argentinos.
O impacto dessa onda de turismo foi notório: hotéis ficaram lotados e o comércio local experimentou um aquecimento sem precedentes, com prateleiras esvaziadas rapidamente. Os argentinos, atraídos pelos preços acessíveis, compravam uma variedade de produtos, desde alimentos até eletrodomésticos. O jornal enfatizou que a desvalorização do cruzeiro permitiu que os visitantes adquirissem itens que iam de aparelhos de televisão a confecções, incluindo alimentos como o trigo, que era produzido e exportado por eles.
As ruas de Foz do Iguaçu se tornaram um reflexo desse movimento, com uma quantidade de veículos argentinos competindo com os brasileiros, evidenciando a intensidade do fluxo de visitantes. Vale ressaltar que, na época, a Ponte Internacional Tancredo Neves ainda não havia sido inaugurada, o que fazia com que muitos turistas e moradores da fronteira utilizassem embarcações pelo Rio Iguaçu, acessando a cidade pelo Porto Meira.
O jornal também apresentou dados expressivos sobre a visitação, destacando que, durante a alta temporada de verão, a expectativa era de que Foz do Iguaçu recebesse entre 150 mil e 200 mil visitantes, superando os registros de anos anteriores. Essa onda de turismo não se limitou apenas ao lazer, mas também despertou o interesse argentino em investimento no setor imobiliário e em outros empreendimentos na região.
Além do turismo e do comércio, a influência argentina se estendeu para o mercado imobiliário, com investimentos em diversas áreas. O fenômeno econômico da década de 80 não apenas transformou a dinâmica social e econômica de Foz do Iguaçu, mas também fortaleceu os laços entre as comunidades de Puerto Iguazú e Foz do Iguaçu. Essa integração reflete a interdependência e os laços históricos que existem entre Brasil e Argentina na região da fronteira.
O Museu da Imprensa Foz, um importante arquivo digital que reúne documentos sobre a história local, também desempenha um papel fundamental na preservação dessa memória, com uma coleção que cobre um período histórico desde 1953. Essa iniciativa, apoiada pela Itaipu Binacional e pela Associação Guatá, busca valorizar o patrimônio cultural da cidade e das Três Fronteiras.



