A fundação da Missão Jesuítica nas proximidades das Cataratas do Iguaçu, em 1626, representa um marco histórico significativo na interação entre os jesuítas e as comunidades indígenas locais. Em 9 de julho de 1623, sob a ordem do governador Manuel de Frias, foi autorizada a criação de uma redução iguaçuense, que se tornaria um importante entreposto para viajantes que precisavam transpor as quedas d'água da região. Essa iniciativa visava estabelecer uma rota alternativa ao fluxo do rio Paraná, formando uma rede de circulação entre os povoados espanhóis da época.
Após a autorização, os padres da Companhia de Jesus não tardaram a agir. Poucos meses depois, partiram da redução de Encarnação em direção à Foz do Iguaçu, acompanhados de 10 a 12 indígenas cristianizados. Ao longo do percurso, perceberam a presença de nativos nas margens, observando-os através da densa vegetação. No entanto, ao desembarcarem em uma aldeia local, foram recebidos por um grande número de indígenas armados, que demonstraram hostilidade em relação à presença dos missionários.
O padre Diego de Boroa, que liderava a expedição, relatou que foi surpreendido por mais de 100 indígenas que, armados e pintados, exigiam que os jesuítas abandonassem o local. Em resposta, os missionários tentaram conquistar a simpatia dos nativos oferecendo presentes, como panelas e lâminas de machado. A receptividade, no entanto, não foi a esperada. Os nativos recomendaram que os padres retornassem de onde vieram, um indicativo claro de que a situação não era favorável para os jesuítas.
Apesar da recepção hostil, os missionários decidiram acampar nas proximidades, onde tiveram uma recepção mais calorosa de lideranças e crianças indígenas que se mostraram curiosos e dispostos a trocar pequenos presentes. Contudo, o local escolhido inicialmente não possuía os recursos necessários para sustentar uma colônia. Sem comunicar o cacique Taupá, os jesuítas decidiram mudar-se para um local mais apropriado, buscando maior autonomia e condições adequadas para o estabelecimento da missão conforme as diretrizes do Vaticano.
A mudança não foi bem recebida por Taupá, que, ao saber da alteração, ficou indignado e reuniu um grande número de guerreiros armados para confrontar os padres. Com canoas que cobriam o rio, ele se dirigiu rapidamente ao local onde os jesuítas estavam, exigindo explicações sobre a mudança não autorizada. A tensão no ar indicava que um conflito era iminente, colocando em risco a missão que estava apenas começando na região.
A fundação da Missão Jesuítica do Parque Nacional do Iguaçu não apenas moldou a história da região, mas também estabeleceu um diálogo complexo entre os missionários e as comunidades indígenas, cujos desdobramentos ainda são estudados e celebrados nos dias atuais. A partir de 2026, as comemorações dos 400 anos da fundação trarão à tona essa rica história e suas implicações.



