O pré-candidato à presidência Romeu Zema, representando o Partido Novo, declarou neste sábado (16) que considera encerrada a discussão sobre as críticas dirigidas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a respeito de um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro. Zema, que havia se mostrado desapontado com a situação, agora afirma que não houve rompimento político entre ele e Flávio, e que ambos estarão juntos no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No início do mês, após a divulgação de um áudio no qual Flávio solicita ajuda financeira a Vorcaro, Zema havia gravado um vídeo, no qual chamou a situação de "imperdoável" e um "tapa na cara dos brasileiros". No entanto, três dias depois, ele revisou sua posição, afirmando que a crítica era uma "página virada", e justificou sua postura inicial como uma reação à decepção que sentiu. Durante um encontro em Belo Horizonte (MG), Zema declarou: "Eu fui duro porque eu fiquei muito decepcionado, mas eu agi de acordo com os meus princípios e valores. E, para mim, é uma página virada".
A declaração inicial de Zema gerou reações negativas entre os apoiadores de Flávio, comprometendo suas chances de se tornar o vice na chapa do senador, uma possibilidade que estava sendo considerada. Flávio Bolsonaro, por sua vez, comentou que Zema se precipitou ao criticá-lo e afirmou: "Ele se equivocou. Jamais faria isso com ele". Essa troca de declarações reflete a tensão existente entre os dois políticos, que disputam o mesmo eleitorado.
Zema reafirmou que não há ruptura e que continua a respeitar a família Bolsonaro, ressaltando que o cenário político permanece inalterado, com as pré-candidaturas de ambos em andamento. "Não houve nenhuma ruptura. Houve uma manifestação dura da minha parte, que fiquei decepcionado, mas o cenário continua o mesmo", afirmou Zema.
O caso em questão surgiu após uma reportagem do site The Intercept, que revelou áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro a Vorcaro para a realização de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Os diálogos foram obtidos a partir do celular do banqueiro, que foi apreendido pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Compliance Zero.
As informações indicam que houve uma proposta de contribuição de até US$ 24 milhões por parte de Vorcaro, com pagamentos previstos até 2025, totalizando US$ 10 milhões. Flávio confirmou as solicitações, mas negou qualquer irregularidade, afirmando que se tratava de uma negociação privada e que não houve envolvimento de recursos públicos. Ele ainda destacou que não recebeu vantagens em troca do apoio financeiro.



