No contexto atual de debates sobre a jornada de trabalho no Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos-PB, manifestou sua intenção de articular um acordo que una diversas correntes políticas em torno da proposta de fim da escala 6×1. Em evento realizado na manhã deste domingo, 17, em Brasília, Motta enfatizou que o assunto transcende as fronteiras partidárias e deve ser tratado como uma questão de interesse nacional. “Vamos sentar para fazer um texto de convergência”, destacou, ressaltando que a matéria pertence à sociedade e não a um único partido ou governo. Ele afirmou que a aprovação do texto representaria uma resposta positiva às expectativas de mais de 70% da população brasileira.
A transição para a nova escala de trabalho, no entanto, tem gerado divergências dentro do Executivo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, se opõe à ideia de uma etapa de transição, argumentando que essa abordagem apenas atrasaria as mudanças necessárias. Por outro lado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mostrou-se aberto a discutir exceções, mas rejeitou a implementação de medidas de compensação para as empresas que poderiam ser afetadas pela mudança.
O setor privado também expressa preocupações em relação à proposta, defendendo que a transição deve ser acompanhada de compensações financeiras. Empresários alertam que a alteração na jornada pode elevar os custos operacionais e aumentar a informalidade no mercado de trabalho. Em contrapartida, a oposição sugere um período de adaptação de quatro anos para que as empresas possam se ajustar às novas regras.
O deputado Leo Prates, relator do projeto, está previsto para apresentar seu parecer na próxima quarta-feira, 20. Hugo Motta reiterou que a meta é aprovar o texto ainda em maio, propondo a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana, sem cortes salariais. “Nossa prioridade agora, para o mês de maio, queremos até o final do mês entregar a redução da jornada de trabalho a todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, afirmou Motta, reforçando o compromisso da Câmara com a pauta trabalhista.



