Nesta terça-feira, 19, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal realizará uma audiência para interrogar o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. A reunião, marcada para as 10h, tem como objetivo esclarecer o papel da autarquia na liquidação do Banco Master, cuja decretação ocorreu em novembro de 2025. Os senadores buscam entender se a diretoria do BC ignorou alertas sobre fraudes na instituição, que era comandada por Daniel Vorcaro.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, já manifestou sua insatisfação em relação à condução do Banco Central. Ele argumentou que a morosidade do órgão permitiu que o esquema criminoso se instalasse, resultando no afastamento de três diretores do BC que estiveram diretamente envolvidos nas irregularidades do Banco Master.
Além de investigar o caso do Banco Master, os senadores pretendem usar a audiência para avaliar se o BC está cometendo falhas semelhantes em relação a outras instituições públicas, como o Banco de Brasília (BRB). Calheiros destacou que a gestão de Galípolo apresenta deslizes regulatórios que podem colocar em risco os investidores e ameaçar a estabilidade do sistema bancário nacional. A sessão será transmitida ao vivo pela TV Senado.
A convocação de Galípolo é parte das exigências da lei de autonomia do Banco Central, que foi aprovada em 2021 e estipula a necessidade de prestações de contas periódicas ao Congresso. O presidente do BC não compareceu ao encontro anterior, agendado para 4 de maio, alegando problemas de saúde que exigiram atendimento hospitalar. Após sua recuperação, a comissão remarcou a audiência.
A pressão em torno do depoimento de Galípolo não se limita ao Senado. Na quarta-feira, 13, a cúpula da CAE se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), onde discutiram mudanças na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e estratégias para endurecer a normativa contra crimes no mercado de capitais.
Os senadores também estão considerando pedidos de ajuda financeira internacional para o Nordeste. Entre as pautas analisadas, estão dois empréstimos do Banco Mundial (BIRD) destinados à Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, totalizando US$ 123,5 milhões com garantia do governo federal. Além disso, a comissão estuda a possibilidade de utilizar verbas do Fundo Social para criar linhas de financiamento estudantil e agrícola.



