O Conselho Deliberativo do Corinthians tomou a decisão de expulsar Andrés Sanchez do quadro associativo do clube durante uma reunião realizada no Parque São Jorge, na última segunda-feira (25). A votação, que contou com 112 votos a favor, 49 contra e seis abstenções, foi o resultado de investigações que indicaram que o ex-presidente utilizou o cartão corporativo da agremiação para despesas pessoais, totalizando R$ 480.169,60 em valores corrigidos.
Com a expectativa da decisão, torcedores se reuniram em frente ao Parque São Jorge, celebrando com rojões e canções, antes mesmo do término da votação. Andrés Sanchez, que ocupou a presidência em dois mandatos, de 2007 a 2012 e de 2018 a 2020, argumentou que houve confusão entre seu cartão corporativo e o pessoal, tentando justificar assim parte dos gastos. Ele chegou a ressarcir uma parte das despesas, mas não conseguiu evitar a expulsão.
Devido a uma medida cautelar que o impede de frequentar as dependências do clube, Andrés não esteve presente para se defender durante a votação. Ele havia tentado obter uma liminar para comparecer, mas não obteve sucesso. Assim, a sua defesa foi realizada pelos advogados Alexandre Imbriani, Bruna de Carvalho Fonseca Dias e Anna Julia Luchtemberg, do escritório de Fernando José da Costa.
No início do dia, faixas de apoio a Andrés foram expostas na entrada do Parque São Jorge, mas foram retiradas ainda pela manhã. A reunião do Conselho foi marcada por intensas manifestações das torcidas organizadas, que se concentraram na Rua São Jorge. Mensagens como "Conselheiros, a história vai lembrar quem protegeu o Corinthians e quem se omitiu" e "Com Sanchez, sem chances" foram exibidas por torcedores que buscavam pressionar os conselheiros.
Dada a relevância do evento, a segurança foi reforçada com a presença de viaturas do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do grupo tático de elite da Polícia Civil, o Garra, tanto dentro quanto fora do clube. Durante a reunião, houve registros de confusões entre dirigentes, e o vice-presidente Armando Mendonça buscou mostrar documentos relacionados aos gastos pessoais no cartão corporativo.
Em dezembro, Armando Mendonça e o ex-diretor financeiro Roberto Gavioli foram denunciados por lavagem de dinheiro e crimes tributários pelo promotor Cássio Conserino. Contudo, em 14 de março, a Justiça de São Paulo rejeitou a denúncia, considerando que não havia justa causa para o prosseguimento da ação penal. O Ministério Público de São Paulo recorreu dessa decisão.



