A Federação PSDB-Cidadania decidiu, por unanimidade, indicar o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A deliberação ocorreu nesta terça-feira, 26, após a aprovação do diretório do PSDB em São Paulo, que também endossou a candidatura do político mineiro.
Apesar da aprovação, Aécio Neves optou por não confirmar imediatamente sua aceitação ao convite. O parlamentar anunciou que pretende consultar lideranças do mercado financeiro e de setores da economia antes de tomar sua decisão definitiva. Os líderes da federação planejam realizar um anúncio oficial sobre a candidatura ainda nesta semana, apresentando Aécio como a figura ideal para mediar o confronto entre os grupos do presidente Luiz Inácio Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Essa movimentação política é parte de um esforço do PSDB para retomar um espaço que deixou de ocupar na corrida presidencial em 2022. O partido enfrentou uma significativa redução de sua influência nos maiores colégios eleitorais do país e perdeu o comando do governo de São Paulo, um bastião do partido por quase três décadas.
A crise interna do PSDB se aprofundou durante as eleições municipais de 2024, quando a sigla não conseguiu conquistar nenhuma prefeitura de capital e ficou ausente da Câmara Municipal de São Paulo. A migração de prefeitos e vereadores para o PSD, liderado por Gilberto Kassab, resultou em uma diminuição considerável da bancada tucana paulista. Em fevereiro deste ano, a situação se agravou com a saída de seis deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania para o partido de Kassab na Assembleia Legislativa paulista.
Roberto Freire, presidente de honra da federação, defendeu a necessidade de resgatar propostas tradicionais que possam atrair o eleitorado de centro. Ele enfatizou que o Brasil precisa focar no debate sobre o crescimento econômico, a geração de empregos, a melhoria de hospitais e escolas, além do combate à violência e da eficiência na administração pública.
Aécio Neves, por sua vez, rejeitou o rótulo de "terceira via" para sua candidatura, afirmando que busca um caminho voltado para o futuro. O deputado federal manifestou a intenção de iniciar um ciclo de conversas com outras legendas de centro para avaliar a viabilidade de uma aliança partidária nos próximos meses.



