Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 28, a inclusão das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. Essa decisão representa um aumento na pressão internacional sobre esses grupos criminosos e pode abrir caminho para a aplicação de sanções mais rigorosas contra seus membros e redes associadas.
O Departamento de Estado dos EUA informou que tanto o PCC quanto o CV receberão duas designações diferentes: a de "Organizações Terroristas Estrangeiras" (Foreign Terrorist Organizations, FTO) e a de "Terroristas Globais Especialmente Designados" (Specially Designated Global Terrorists, SDGT). A nova classificação deverá ter efeito a partir de 5 de junho.
As designações têm implicações jurídicas distintas. A classificação como Organização Terrorista Estrangeira oferece um escopo mais amplo e permite a aplicação de restrições severas, como a proibição de apoio material e bloqueios financeiros, além de facilitar a cooperação internacional. Por outro lado, a categoria de Terrorista Global Especialmente Designado foca em sanções econômicas, congelamento de bens e restrições ao sistema financeiro dos EUA.
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, destacou que as duas facções são consideradas entre as mais violentas da América Latina, com uma influência que ultrapassa as fronteiras do Brasil, afetando outros países da região e também Os Estados Unidos.
A decisão foi tomada após meses de discussões internas no governo dos EUA sobre a possibilidade de classificar grupos criminosos da América Latina como organizações terroristas. Esse debate gerou preocupações em diversos setores do governo brasileiro, que temiam as possíveis repercussões diplomáticas, econômicas e de soberania decorrentes dessa classificação.
Especialistas que participaram de recentes debates sobre o assunto sinalizaram que essa mudança pode resultar em uma ampliação das ferramentas utilizadas pelos EUA para combater esses grupos, incluindo sanções financeiras mais agressivas e uma maior integração entre as estratégias de contraterrorismo e o combate ao crime organizado transnacional.



