O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), chamando-o de "traidor da pátria" em sua primeira declaração pública desde que os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante um discurso em Sergipe, Lula atacou o pré-candidato à Presidência por ter viajado a Washington para solicitar, segundo o presidente, uma intervenção americana no Brasil.
Lula e Flávio estão programados para se enfrentar nas eleições de outubro, disputando o comando do Palácio do Planalto. O presidente fez uma analogia histórica, mencionando Joaquim Silvério dos Reis, figura simbólica da Inconfidência Mineira (1788-1789), e afirmou que ele ficaria envergonhado com as ações de Flávio Bolsonaro. "[Flávio Bolsonaro] não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria. Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato à Presidência que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", declarou Lula em uma cerimônia relacionada a investimentos da Petrobras em Laranjeiras (SE).
Além das críticas a Flávio Bolsonaro, Lula TAMBÉM direcionou seus ataques à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele afirmou que, se os Bolsonaros tivessem solicitado uma intervenção dos EUA para prender milicianos, os membros da família seriam detidos no território norte-americano. O presidente enfatizou que a movimentação bolsonarista é reflexo do temor de que ele conquiste a Presidência pela quarta vez em outubro: "Estão incomodados porque eles sabem que vou vencer a eleição outra vez".
Em seu discurso, Lula deixou claro que o Brasil não aceitará ser tratado com desdém. "Nós não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta", afirmou, dirigindo-se a Donald Trump, presidente dos EUA. O presidente TAMBÉM mencionou o empresário Ricardo Magro, que é considerado o maior devedor de impostos do Brasil e reside nos Estados Unidos, além de Alexandre Ramagem (PL), que vive nos EUA após ser condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Lula reiterou que o governo federal combaterá o PCC e o CV, que atuam como grupos terroristas nas comunidades brasileiras, sem depender de intervenções externas. Ele ressaltou a importância da aprovação da Lei Antifacção e incentivou o Senado a aprovar a PEC da Segurança Pública. Em resposta a Trump, Lula afirmou que o presidente norte-americano não deve brincar com a "soberania e a democracia brasileira".



