A Polícia Civil anunciou a conclusão das investigações da Operação Vérnix nesta sexta-feira, 29. Durante a operação, foram indiciados a influenciadora digital Deolane Bezerra, o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola, além de mais cinco pessoas. Todos enfrentam acusações de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.
Deolane Bezerra foi detida no dia 21 de maio em um condomínio de luxo na região metropolitana de São Paulo. A investigação revelou que ela estaria recebendo verbas de uma transportadora supostamente controlada pela facção criminosa. A Polícia Civil coletou novos documentos que confirmam a materialidade dos delitos financeiros, e o relatório final foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise.
O indiciamento inclui detalhes sobre o papel de cada um dos envolvidos na estrutura criminosa. No comando da operação estão Marcola e seu irmão, Alejandro Herbas Camacho, ambos atualmente cumprindo pena em presídios federais e supostamente coordenando uma empresa de fachada. Os filhos de Alejandro, Leonardo e Paloma Herbas Camacho, eram responsáveis pela administração dos recursos e pela comunicação das ordens aos operadores do esquema.
O contador Eduardo Affonso Rodrigues foi apontado como responsável por abrir empresas fantasmas para encobrir o fluxo financeiro do grupo. O operador Everton de Souza, conhecido como Player, ficou encarregado de enviar dinheiro para as contas de Deolane Bezerra. Os investigadores levantaram suspeitas de que a influenciadora teria alterado sua estratégia criminosa após a prisão de outros influenciadores digitais.
O elo financeiro entre o PCC e Deolane Bezerra foi identificado através do rastreamento das atividades de Everton de Souza. Player gerenciava os depósitos da Lopes Lemos Transportadora para a conta da influenciadora, integrando as transações ao balancete mensal da quadrilha. Os peritos detectaram depósitos diretos que totalizam R$ 24,5 mil nas faturas da advogada, além de R$ 1 milhão em espécie sem origem declarada entre 2018 e 2021. A defesa de Deolane Bezerra contesta as acusações, afirmando que os valores são oriundos de honorários por serviços jurídicos prestados.
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que mencionavam uma mulher responsável por levantar informações sobre autoridades públicas para futuros atentados. Em 2021, a Polícia Civil localizou a transportadora durante a Operação Lado a Lado, e o cruzamento de dados apontou um crescimento patrimonial sem lastro da empresa fictícia.



