O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (3), que o Brasil irá procurar novos parceiros comerciais para amenizar os efeitos das recentes taxações anunciadas pelos Estados Unidos. A declaração surge em meio a um contexto de novas tarifas que afetam produtos brasileiros, com Lula enfatizando a necessidade de o país agir de forma autônoma.
"Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano", afirmou o presidente aos ministros presentes na reunião.
Lula reiterou a importância de adotar uma postura de maior independência nas relações internacionais, destacando que o Brasil não deve se submeter às pressões exercidas por potências econômicas. Ele criticou a chamada política de "vira-lata" que, segundo ele, não condiz com a posição do Brasil no cenário global.
"Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito", declarou Lula, enfatizando a necessidade de estabelecer relações comerciais mais equilibradas.
Na última segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de uma taxa de 25% sobre uma parte das importações brasileiras. Essa recomendação é fruto de uma investigação iniciada há um ano, durante a gestão de Donald Trump, que alegava práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.
O presidente brasileiro lembrou que, em maio, durante reunião na Casa Branca, chegou a um entendimento com Donald Trump, que previa um prazo de 30 dias para alcançar um acordo sobre as questões comerciais entre os dois países. Lula entregou documentos que demonstravam a relação comercial vantajosa dos EUA em relação ao Brasil, revelando que, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi de US$ 415 bilhões.



