A Polícia Federal (PF) deve rejeitar a nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro na semana passada. Fontes ligadas à corporação confirmaram a informação, apontando que a versão do dono do Banco Master não atende às expectativas dos investigadores.
Os investigadores consideram insuficiente a afirmação de Vorcaro de que realizava pagamentos de propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Na proposta de delação, o banqueiro modificou sua narrativa sobre a relação com Ciro e com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Ao adotar uma nova postura, Vorcaro passou a classificar os episódios como casos de propina, abandonando a versão anterior que ressaltava apenas laços de amizade entre as partes.
Vale destacar que a PF já havia recusado a primeira proposta de delação de Vorcaro. Por sua vez, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda está em processo de análise das duas propostas apresentadas.
No âmbito das investigações, a PF identificou Ciro Nogueira como o “destinatário central” de um esquema de vantagens indevidas supostamente financiado por Daniel Vorcaro. Essa informação foi incluída em uma representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que foi deflagrada no mês passado.
De acordo com os documentos em posse da PF, a relação entre o senador e o empresário envolvia pagamentos mensais regulares. Inicialmente, os repasses começavam em R$ 300 mil e posteriormente aumentavam para R$ 500 mil. As transferências eram realizadas através de uma estrutura societária que envolvia empresas vinculadas à família de Vorcaro e firmas geridas por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.
A defesa de Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade em suas atividades parlamentares. Os advogados afirmaram que o senador não participou de atividades ilícitas ou dos eventos investigados. Além disso, ressaltaram que ele está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos, criticando as medidas da operação e alegando que são baseadas apenas em trocas de mensagens de terceiros.



