O uso excessivo de aparelhos digitais tem gerado preocupações entre os pais, que enfrentam o desafio de equilibrar a tecnologia com o desenvolvimento de seus filhos. Rachel Alves, mãe de Noah, de 13 anos, relata que, ao retirar as telas do cotidiano do filho, ele apresentou uma crise de abstinência, tornando-se extremamente irritado e, por dias, sem se comunicar. Este relato exemplifica a crescente competição entre a tecnologia e os brinquedos tradicionais na criação de crianças e adolescentes.
O tema ganhou destaque recentemente com o lançamento de Toy Story 5, que aborda a presença dos brinquedos em um mundo cada vez mais dominado por telas. No novo filme da Pixar, Jessie se torna a protagonista, assumindo o papel de “xerife” dos brinquedos da nova humana da turma, Bonnie. Essa mudança reflete uma tentativa de resgatar o valor dos brinquedos em um cenário tecnológico.
Dados de uma pesquisa realizada pelo Projeto Brief no final do ano passado indicam que 77% das crianças e adolescentes possuem celular próprio, enquanto 73% têm pelo menos uma conta ativa em redes sociais. Entre os adolescentes de 13 a 18 anos, esse número sobe para 91%. Diante desse cenário, muitos pais, como Danuta Ferreira, mãe de Kael, de 6 anos, e Luna, de 2, tentam limitar o acesso de seus filhos aos dispositivos digitais, criando alternativas para diversão que não envolvam telas.
Rachel, por sua vez, recorreu a aplicativos específicos para controlar o tempo que Noah passa em frente às telas. Ela observa que o uso constante de tecnologia tem gerado comportamentos agressivos e reativos no filho. "O maior desafio é controlar a ansiedade dele e a insistência em solicitar o desbloqueio das telas. Muitas vezes, é tentador se livrar da responsabilidade de monitorar o que as crianças estão fazendo, e sem as telas, essa tarefa se torna mais complexa", afirma.
Danuta também destaca as dificuldades que enfrenta, como o desenvolvimento da linguagem e a atenção das crianças, além de mudanças no sono e na capacidade de formar competências socioemocionais. Ela observa que a linguagem é uma das primeiras habilidades afetadas, pois a interação exige troca e interpretação de expressões faciais.
Além disso, a especialista enfatiza que o uso excessivo de telas pode prejudicar funções executivas, como controle de impulsos e planejamento. As crianças que passam muito tempo em dispositivos digitais têm menos chances de desenvolver empatia e habilidades para resolver conflitos, que são essenciais tanto para o ambiente escolar quanto para os relacionamentos futuros.



