Centros de tratamento de dependência no Reino Unido têm registrado um aumento significativo no número de pessoas em busca de ajuda para lidar com o uso excessivo de celulares. Essa situação é refletida em uma pesquisa realizada pela Deloitte, onde 70% dos entrevistados afirmaram que passam tempo demais em seus dispositivos. Especialistas em dependência alertam que a química do cérebro está sendo alterada pelos smartphones, o que contribui para a crescente preocupação com o vício em tecnologia.
Um dos relatos que ilustra essa questão é o de Marios, um usuário que, durante uma sessão de terapia, confessou a dificuldade de resistir ao impulso de usar seu celular. Ele mencionou que, em um único dia, verificou seu telefone 116 vezes e passou mais de três horas olhando para a tela. Para ele, a experiência de usar o celular é comparável à de carregar uma droga sempre à mão, com notificações constantes que o lembram de usar o aparelho.
Embora o vício em celular não seja oficialmente reconhecido como um problema de saúde, a realidade vivida por muitos usuários é alarmante. De acordo com os UK Addiction Treatment Centres (UKAT), em 2022, um terço dos clientes que buscou tratamento para dependência de substâncias também apresentava um vício secundário em telefones, um aumento em relação a apenas 10% em 2019. Essa situação leva alguns pacientes a desistirem do tratamento principal, pois se recusam a abrir mão de seus dispositivos ao ingressar nas clínicas de reabilitação.
Os especialistas destacam que a linha entre o uso excessivo e a dependência é tênue. Sugestões para lidar com o vício incluem encontrar outras formas de distração, como praticar esportes, ler livros ou socializar pessoalmente. Além disso, empresas de telefonia têm introduzido ferramentas que permitem aos usuários monitorar seu tempo de tela e limitar o acesso a determinados aplicativos, com o intuito de ajudar a interromper o ciclo vicioso de uso excessivo.
De volta ao norte de Londres, Marios demonstra esperança em relação ao tratamento que está realizando. Ele se mostra otimista ao afirmar que, apesar dos desafios, está lentamente redescobrindo o prazer em atividades fora do ambiente digital. "Diariamente, estabeleço a intenção de não usar tanto meu celular, e isso tem feito diferença", afirma.
A questão do vício em celulares é complexa e ainda carece de mais estudos e reconhecimento, mas os sinais de alerta estão presentes, e cada vez mais pessoas buscam ajuda profissional para enfrentar esse desafio contemporâneo.



