A Fraternidade São Pio X procedeu nesta quarta-feira (1º) à ordenação de quatro bispos em Écône, na Suíça. O ato ocorreu sem a autorização do papa Leão XIV, que havia solicitado a suspensão da cerimônia. Este evento foi caracterizado pelo Vaticano como um "ato cismático", devido à nomeação de bispos sem aval papal, o que representa uma clara ruptura com a Igreja Católica.
A celebração contou com a presença de milhares de fiéis de diversos países e marcou a consagração de um americano, dois franceses e um suíço. Ao ignorar o pedido do pontífice, os novos bispos são automaticamente considerados excomungados, assim como já ocorre com outros dois bispos que fazem parte da fraternidade desde antes.
A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, que viveu entre 1905 e 1991. Hoje, a fraternidade afirma contar com aproximadamente 600 mil membros. O grupo se posiciona contra as mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II, celebrado na década de 1960, e defende uma interpretação mais estrita da doutrina e liturgia católicas, além de sustentar valores tradicionalistas.
Durante a homilia da cerimônia, o superior-geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani, comentou as acusações de rompimento com Roma. Ele defendeu que a verdadeira pertença à Igreja se baseia na fé e na profissão integral da doutrina católica, não na aceitação de novas diretrizes.
A ordenação, que durou cerca de quatro horas e foi celebrada em latim, ocorreu no local histórico onde, em 1988, Marcel Lefebvre havia ordenado os quatro primeiros bispos da fraternidade, um episódio que simbolizou um grande afastamento entre o grupo e o Vaticano.
De acordo com a legislação da Igreja Católica, a ordenação de bispos sem o mandato do Papa resulta em excomunhão automática dos envolvidos, caracterizando um ato de cisma. Previamente, Leão XIV havia enviado uma carta ao líder da fraternidade solicitando a revisão da decisão, expressando seu desejo sincero de que reconsiderassem a ação.



