O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, no dia 1º de novembro, sanções direcionadas a dois cidadãos brasileiros, três empresas localizadas no Brasil e uma companhia em Portugal, todos supostamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa ação representa a primeira medida concreta do governo dos EUA após classificar a facção criminosa brasileira como uma organização terrorista.
Considerada a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, o PCC TAMBÉM atua no Reino Unido, Turquia e Japão. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) destacou que o grupo se aproveita do sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, identificado pelo Tesouro como líder do núcleo paulista e um elo entre os operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. O comunicado do departamento revelou que Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, utilizando criptomoedas para transferir valores ao Brasil.
Outra pessoa sancionada foi Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, considerada uma colaboradora próxima de Shimada. Além deles, as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal TAMBÉM foram alvo das sanções. Com essa decisão, todos os bens e interesses dos indivíduos e empresas afetados sob jurisdição dos EUA foram bloqueados, e cidadãos e empresas norte-americanas estão proibidos de realizar transações com os sancionados.
O Tesouro dos EUA informou que, em janeiro de 2025, Shimada havia cumprido prisão domiciliar no Brasil, pois a Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
Embora o comunicado não mencione diretamente o Corinthians, a empresa vinculada a Shimada está relacionada a investigações do caso “Vai de Bet”, que investiga um suposto desvio e lavagem de dinheiro no contrato de patrocínio do clube. O Ministério Público paulista aponta que a Victory Trading foi a última empresa a receber recursos antes de serem repassados à UJ Football, que TAMBÉM está sob investigação.



