A escritora Lídia Jorge, natural de Portugal, foi anunciada como a vencedora do Prêmio Camões 2026, uma das mais importantes premiações literárias de língua portuguesa. A autora receberá uma quantia de 100 mil euros, o que equivale a aproximadamente R$ 598 mil, além de um diploma assinado pelos presidentes do Brasil e de Portugal.
Lídia Jorge é reconhecida como uma das principais vozes da literatura contemporânea em português. Sua obra é aclamada pela análise profunda da história recente de seu país e pela reflexão sobre questões sociais, incluindo a defesa dos direitos humanos e das mulheres. O júri do prêmio destacou que sua produção literária enriquece o patrimônio cultural da língua portuguesa, trazendo à tona experiências do período da guerra colonial.
Entre suas obras mais notáveis, o livro "A Costa dos Murmúrios", publicado em 1988, é mencionado como um marco significativo, pois retrata sua vivência em Moçambique e desconstrói as narrativas tradicionais da guerra colonial sob a perspectiva feminina. Além disso, Lídia Jorge tem obras publicadas pela Autêntica Contemporânea, como "Misericórdia", que explora temas como a velhice e a resistência à morte, e "Diante da manta do soldado", lançado em 2025.
A ata do júri ressalta a escrita de Lídia Jorge, caracterizada por uma prosa poética densa, que aborda o passado ditatorial de Portugal e examina a condição feminina, além de refletir sobre as transformações históricas e suas repercussões na vida cotidiana. O júri também enfatiza a importância de sua obra na discussão de temas como emigração, conflitos geracionais e rupturas familiares.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, comentou que a escolha de Lídia Jorge para receber o prêmio celebra uma das grandes vozes da literatura de língua portuguesa, destacando a riqueza que sua obra traz ao contexto cultural dos países lusófonos.
Nascida em Boliqueime, Algarve, em 18 de junho de 1946, Lídia Jorge se formou em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. Sua experiência durante a Guerra Colonial Portuguesa, quando viveu em Angola e Moçambique, influenciou significativamente sua produção literária. O primeiro romance da autora, "O Dia dos Prodígios", publicado em 1980, é considerado um divisor de águas na literatura portuguesa, rompendo com o realismo tradicional.



