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Mitos em computadores antigos que não servem para os modernos

Há muitos anos se diz que maus hábitos são difíceis de abandonar. Quando o assunto envolve costumes adquiridos durante décadas de uso de computadores e...

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Há muitos anos se diz que maus hábitos são difíceis de abandonar. Quando o assunto envolve costumes adquiridos durante décadas de uso de computadores e da internet, essa afirmação parece ainda mais verdadeira. Isso é especialmente evidente para quem acompanha a evolução da informática desde os primeiros computadores pessoais. Afinal, quando uma determinada informação é repetida inúmeras vezes ao longo dos anos, torna-se fácil aceitá-la como verdadeira, mesmo que ela esteja desatualizada ou nunca tenha sido totalmente correta.

Mesmo pessoas acostumadas a verificar informações e adotar uma postura crítica podem acabar acreditando em alguns mitos tecnológicos. Em muitos casos, essas ideias equivocadas foram assimiladas ainda na infância ou adolescência, quando o conhecimento sobre computadores era mais limitado. Em outros, vieram de especialistas e profissionais respeitados, cujas recomendações faziam sentido na época em que foram dadas.

Embora a maioria desses mitos não cause grandes prejuízos atualmente, eles demonstram como a repetição constante de uma informação não a torna automaticamente verdadeira. Além disso, diversas dessas recomendações realmente eram corretas quando surgiram, mas deixaram de ser relevantes à medida que o hardware e o software evoluíram.

O problema é que muitas dessas práticas continuaram sendo repetidas por anos, transformando-se em verdadeiros resquícios de uma época em que os computadores funcionavam de maneira bastante diferente da atual.

Um dos exemplos mais conhecidos é a ideia de que precisa desligar o computador todos os dias. Durante muito tempo, essa recomendação fazia bastante sentido. As primeiras versões do Windows eram conhecidas pela instabilidade, travamentos frequentes e erros que podiam surgir após muitas horas de funcionamento contínuo. Sistemas antigos, como o Windows Millennium Edition, lançado em 2000, tornaram-se famosos justamente por sua baixa confiabilidade.

Desligar e ligar novamente o computador frequentemente ajudava a restaurar o funcionamento normal do sistema operacional. O processo limpava a memória, reiniciava serviços, recarregava drivers de dispositivos e resolvia diversos pequenos problemas acumulados durante o uso. Também era comum ouvir que manter o computador ligado continuamente reduziria sua vida útil.

Atualmente, essa preocupação perdeu grande parte de sua importância. Embora reiniciar o computador ainda seja útil após atualizações do sistema ou quando algum programa apresenta falhas, os componentes modernos são projetados para operar continuamente durante muitos anos. Processadores, memórias RAM, placas-mãe e diversos outros componentes eletrônicos podem permanecer ligados por longos períodos sem sofrer desgaste significativo simplesmente por estarem em funcionamento. Servidores de empresas, por exemplo, frequentemente permanecem ligados durante meses ou até anos, sendo reiniciados apenas quando necessário para manutenção.

Isso não significa que deixar o computador ligado o tempo todo seja sempre a melhor escolha. Quando ele não estiver em uso, desligá-lo ou colocá-lo em modo de suspensão continua sendo uma forma eficiente de economizar energia elétrica, reduzir custos e diminuir o consumo desnecessário de recursos.

Outro hábito bastante difundido durante muitos anos era desfragmentar regularmente o disco rígido. Essa recomendação era extremamente importante quando praticamente todos os computadores utilizavam discos rígidos mecânicos, conhecidos como HDDs. Diferentemente das unidades de estado sólido modernas, esses dispositivos armazenavam informações em discos magnéticos que giravam continuamente, enquanto uma pequena cabeça de leitura se movimentava fisicamente para localizar os dados.

Uma boa analogia é imaginar uma estante cheia de livros. Sempre que um livro fosse retirado e devolvido em outro lugar da estante, seria necessário gastar mais tempo procurando-o posteriormente. A desfragmentação reorganizava os arquivos espalhados pelo disco, colocando-os novamente em posições contínuas, reduzindo o tempo necessário para encontrá-los e melhorando o desempenho geral do computador.

Hoje, entretanto, a maioria dos computadores utiliza unidades de estado sólido, conhecidas como SSDs. Diferentemente dos discos mecânicos, elas não possuem partes móveis e acessam qualquer informação praticamente com a mesma velocidade, independentemente de sua localização física. Além disso, utilizam controladores inteligentes capazes de distribuir automaticamente os dados de forma eficiente entre as células de memória.

Realizar uma desfragmentação manual em um SSD não traz benefícios perceptíveis de desempenho e ainda pode reduzir, ainda que modestamente, sua vida útil. Isso ocorre porque essas unidades suportam um número finito de operações de gravação ao longo dos anos. Embora os SSDs modernos sejam extremamente duráveis e normalmente ultrapassem muitos anos de uso intenso antes de apresentar desgaste significativo, realizar gravações desnecessárias continua sendo uma prática que deve ser evitada. Felizmente, as versões atuais do Windows já identificam automaticamente o tipo de unidade instalada e executam apenas os procedimentos de otimização apropriados para cada tecnologia, dispensando a necessidade de intervenção manual na maioria dos casos.

Outro mito bastante comum dizia que programas gratuitos eram quase sempre inferiores aos pagos. Durante as décadas de 1990 e o início dos anos 2000, essa percepção realmente possuía algum fundamento. Naquela época, softwares profissionais eram caros e praticamente não existiam alternativas gratuitas capazes de competir com grandes produtos comerciais. Quem desejava editar documentos, imagens, vídeos ou músicas normalmente precisava adquirir licenças de programas como Microsoft Office, Adobe Photoshop, Sony Vegas ou Ableton Live.

Com o crescimento do software livre, do desenvolvimento colaborativo e das aplicações baseadas na internet, esse cenário mudou profundamente. Atualmente existem diversas alternativas gratuitas extremamente competentes para praticamente todas as categorias de programas.

Pacotes de escritório como o LibreOffice oferecem recursos suficientes para atender à maioria dos usuários domésticos, estudantes e profissionais. Ferramentas online permitem criar documentos, planilhas e apresentações diretamente no navegador, muitas vezes com recursos colaborativos que nem sequer existiam nos programas tradicionais.

O mesmo acontece em outras áreas. O DaVinci Resolve, por exemplo, tornou-se um dos editores de vídeo gratuitos mais completos disponíveis atualmente. Sua versão gratuita oferece recursos profissionais suficientes para produções de alto nível e já foi utilizada durante a pós-produção de grandes filmes comerciais, demonstrando que um software gratuito não necessariamente significa baixa qualidade.

Naturalmente, isso não quer dizer que todo programa gratuito seja melhor do que um pago. Existem aplicações comerciais que oferecem recursos avançados indispensáveis para determinados profissionais. Ainda assim, hoje é muito mais provável encontrar uma excelente alternativa gratuita para praticamente qualquer necessidade do que há duas décadas.

Outro equívoco bastante difundido envolve o chamado modo anônimo, também conhecido como navegação privada ou modo incógnito dos navegadores. Muitas pessoas acreditam que ativar esse recurso torna sua navegação invisível ou completamente anônima na internet.

Na prática, essa função possui um objetivo muito mais limitado. Quando a janela de navegação privada é fechada, o navegador apaga o histórico daquela sessão, os cookies armazenados temporariamente e alguns outros dados locais. Isso impede, por exemplo, que outra pessoa utilizando o mesmo computador veja facilmente quais páginas foram acessadas.

Entretanto, esse modo não impede que os sites identifiquem o visitante, nem oculta sua atividade do provedor de internet, da rede da empresa ou da instituição de ensino onde o computador está conectado. Os servidores continuam recebendo o endereço IP do usuário, além de diversas outras informações transmitidas automaticamente pelo navegador.

Além disso, os navegadores modernos possuem uma chamada impressão digital do navegador, ou fingerprint, formada por diversas características do dispositivo, como sistema operacional, resolução da tela, fontes instaladas, idioma e outros parâmetros técnicos. Mesmo sem utilizar cookies, muitos sites conseguem utilizar essa combinação de informações para reconhecer um mesmo dispositivo em visitas futuras.

Quem busca maior privacidade na internet precisa adotar outras medidas, como utilizar navegadores focados em segurança, bloquear rastreadores, limitar a coleta de dados e, quando necessário, recorrer a serviços especializados de proteção da conexão.

Outro mito bastante popular afirmava que computadores da Apple simplesmente não pegavam vírus. Durante muitos anos, proprietários de Macs frequentemente destacavam essa suposta vantagem em relação aos computadores com Windows, e muitas pessoas passaram a acreditar que o sistema era praticamente imune a qualquer tipo de malware.

Na realidade, computadores Mac sempre puderam ser infectados por vírus, cavalos de Troia, ransomwares e outros programas maliciosos. A principal diferença sempre esteve na quantidade dessas ameaças, e não em sua inexistência.

O motivo é relativamente simples. O Windows domina amplamente o mercado mundial de computadores pessoais, estando presente em residências, escolas, empresas, universidades e órgãos governamentais. Como consequência, criminosos digitais costumam concentrar seus esforços na plataforma que oferece o maior número de possíveis vítimas.

Durante muitos anos, os computadores Mac representaram apenas uma pequena parcela do mercado global de computadores pessoais. Desenvolver programas maliciosos especificamente para esse sistema oferecia um retorno muito menor aos criminosos, tornando os ataques menos frequentes.

Entretanto, conforme a participação dos computadores da Apple cresce, aumenta também o interesse dos criadores de malware. Nos últimos anos surgiram diversas famílias de programas maliciosos desenvolvidas especificamente para macOS, demonstrando que nenhum sistema operacional pode ser considerado completamente imune a ameaças digitais.

A segurança de qualquer computador depende muito mais da adoção de boas práticas, como manter o sistema operacional atualizado, instalar softwares apenas de fontes confiáveis, utilizar autenticação em duas etapas quando possível e desconfiar de links ou arquivos suspeitos, do que simplesmente da plataforma utilizada. Nenhum sistema é absolutamente invulnerável, e a melhor proteção continua sendo a combinação entre tecnologia atualizada e comportamento cuidadoso por parte do usuário.

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