A proposta apresentada por Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal, para que os Estados Unidos participem do processo de transição de governo em caso de sua vitória nas eleições, foi reprovada por Aluizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mercadante a classificou como "inaceitável" e alertou sobre os riscos envolvidos.
Durante o lançamento de projetos voltados à recuperação da Mata Atlântica na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o executivo enfatizou que o acesso dos EUA a dados relacionados a terras raras e à Margem Equatorial representaria uma ameaça à soberania nacional. Mercadante, que já integrou o grupo de transição do governo Bolsonaro para o governo Lula, destacou a importância das informações estratégicas que são compartilhadas em tais contextos.
Ele citou sua experiência em uma visita ao centro de pesquisa da Petrobras (Cenpes), onde teve acesso a dados críticos sobre a Margem Equatorial antes da licença para exploração da área. "Lá você vê o subsolo, toda a área semelhante ao pré-sal, o potencial, onde já tinham reservas na região, são informações estratégicas e que nunca vazaram", afirmou Mercadante, referindo-se ao que viu em sua visita.
Além disso, Mercadante mencionou a relevância dos dados sobre minerais críticos e terras raras que estão sob a custódia do BNDES. Ele questionou como seria possível oferecer tais informações a uma nação estrangeira durante um processo de transição de governo. A crítica se baseia em uma carta enviada pelo secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a Flávio Bolsonaro, que continha o convite para a participação do governo norte-americano.
Mercadante concluiu sua análise ressaltando que essa participação só ocorreria se Flávio Bolsonaro vencer as eleições, o que, segundo ele, não vai acontecer. A declaração reforça a posição de que a soberania e a segurança das informações estratégicas do Brasil devem ser preservadas em qualquer circunstância.



