Durante uma reunião realizada em Brasília na quinta-feira (16), o vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o governo brasileiro está desenvolvendo um programa de apoio voltado para aqueles que foram impactados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Alckmin destacou que, apesar das dificuldades, o governo Lula está comprometido em auxiliar quem contribui para o crescimento da economia nacional. "Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo Lula trabalha para apoiar aqui dentro", afirmou.
O vice-presidente também mencionou que, mesmo com a imposição de tarifas, o Brasil continua a registrar recordes em suas exportações. No ano anterior, as exportações brasileiras atingiram a marca de 347,8 bilhões de dólares. No primeiro semestre deste ano, o país alcançou um novo recorde, totalizando 184,8 bilhões de dólares.
Na mesma data, os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, com exceção do etanol, carne bovina e café. Essa medida foi adotada sob a autoridade da Seção 301, e o chefe do USTR, Jamierson Greer, explicou que a decisão foi fundamentada em uma investigação que identificou práticas consideradas injustas por parte do Brasil em relação aos interesses norte-americanos.
Entre as questões levantadas pelos Estados Unidos, constam ordens judiciais que obrigaram empresas de tecnologia a remover conteúdos políticos. Além disso, foram mencionadas multas elevadas e ameaças de interrupção das operações das plataformas no Brasil, bem como o favorecimento do sistema Pix, que é tratado como um "campeão nacional" pelo Banco Central, criando uma desvantagem competitiva para as empresas de pagamentos dos EUA.
Greer também destacou a concessão de tarifas preferenciais para a Índia e o México, sem reciprocidade para os produtos norte-americanos, e apontou falhas no combate à corrupção, além dos impactos do desmatamento ilegal que afetam os produtores agrícolas dos Estados Unidos.
O chefe do USTR expressou dificuldades nas negociações com o Brasil. "Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória", declarou. Greer caracterizou a postura brasileira como um "excesso de declaração de intenção", mencionando que, embora o Brasil tenha se mostrado aberto ao diálogo, essas iniciativas não foram consideradas como concessões pelo governo dos EUA.



