O Corinthians foi penalizado novamente com um transfer ban, o que o impede de registrar novos jogadores. A sanção foi imposta devido ao atraso no pagamento de uma parcela de um acordo celebrado pelo clube na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, da CBF. A quinta parcela do acordo, que venceu na última sexta-feira, tem um valor aproximado de R$ 8 milhões e a punição tem efeito imediato, impedindo o clube de inscrever novos atletas por seis meses. A diretoria ainda não se manifestou sobre um prazo para regularizar a pendência.
Este é o terceiro transfer ban que o Corinthians enfrenta em um espaço de apenas dois meses. As duas punições anteriores foram determinadas pela Fifa, em decorrência de dívidas internacionais do clube, o que agrava ainda mais a situação financeira da equipe. A nova sanção eleva a pressão sobre a gestão de Osmar Stabile e complica o planejamento do clube na janela de transferências, uma vez que, enquanto a punição estiver em vigor, o Corinthians não poderá registrar reforços, mesmo que já tenha fechado contratações ou empréstimos.
A restrição também limita as opções do departamento de futebol em um momento em que o técnico Fernando Diniz busca realizar ajustes na equipe para o Campeonato Brasileiro. Com a incerteza em relação a novas contratações, o clube convive com um desafio adicional fora de campo que pode impactar seu desempenho nas competições.
Em contato com a reportagem, o Corinthians afirmou que ainda não havia recebido a notificação oficial sobre o novo transfer ban, embora o documento que formaliza a sanção já tenha sido acessado. A situação se torna ainda mais complicada considerando que, antes da penalidade imposta pela CNRD, o clube já havia sofrido duas punições da Fifa. A primeira delas foi relacionada a uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez, em 2024.
A segunda penalidade ocorreu na semana passada, devido ao não pagamento de uma multa disciplinar de US$ 225 mil, equivalente a R$ 1,151 milhão na cotação atual. Essa multa está vinculada a obrigações financeiras relacionadas às negociações de José Martínez, Charles, do Midtjylland, e Talles Magno, do New York City FC. A sequência de transfer bans expõe a gravidade dos problemas financeiros enfrentados pelo Corinthians e evidencia a dificuldade do clube em honrar acordos já estabelecidos.
O acordo na CNRD, homologado em abril do ano passado, visa organizar as cobranças feitas por clubes, jogadores e empresários, totalizando R$ 76 milhões a serem pagos ao longo de seis anos. As parcelas do acordo são trimestrais, sendo que 80% do valor é destinado ao credor principal e 20% para honorários advocatícios. O Corinthians já havia atrasado o pagamento de parcelas anteriores do acordo, efetuando os pagamentos após o vencimento, sob a interpretação de que o prazo de cinco dias para comprovação de quitação também permitiria o pagamento dentro desse período. No entanto, a CNRD aplicou o transfer ban imediatamente após o atraso, mesmo após o clube comprovar a quitação no dia seguinte, mantendo a proibição que impediu o registro de atletas por cerca de três meses.



