A pouco mais de um mês das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem intensificado sua agenda social, conhecida como "pacote de bondades". As iniciativas abrangem desde a distribuição de renda até a expansão do crédito e a implementação de desonerações tributárias.
Durante a campanha de 2022, Lula, que disputou a presidência contra Jair Bolsonaro, criticou as ações do então presidente, as quais considerava populistas. Entre essas, estavam a ampliação do Auxílio Brasil e a criação de benefícios para caminhoneiros e taxistas, que o candidato do PT apontava como manobras eleitorais.
Naquele período, dirigentes do PT acusaram o governo Bolsonaro de usar a máquina pública como ferramenta de influência sobre o eleitorado. O partido também levantou preocupações sobre o impacto fiscal das medidas, afirmando que essas ações poderiam desequilibrar a disputa presidencial devido ao seu alto custo.
Agora, com Lula novamente no comando, o governo anunciou um total de R$ 187,2 bilhões em benefícios diretos aos cidadãos para este ano. Desses, R$ 176,7 bilhões estão fora do limite de aumento de gastos, representando 94% do total. Essas medidas, que reduzem a receita, afetam a meta de superávit primário estipulada pelo governo.
Além disso, uma parte significativa das iniciativas, totalizando R$ 118,7 bilhões, também não se enquadra na meta de superávit primário, o que corresponde a 63% do total das ações. O economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Instituto de Estudo e Pesquisa, classificou a situação como uma "desmoralização total", ressaltando que o volume elevado de exceções torna a meta fiscal sem sentido, resultando em um país com déficit crônico elevado.
Entre as medidas adotadas, destaca-se a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendas mensais de até R$ 5 mil, uma mudança aprovada pelo Congresso em 2025. O governo também implementou novos benefícios para reduzir a tarifa de energia para famílias de baixa renda, utilizando recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).



