O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal norte-americano The Washington Post, onde afirmou que "ninguém vai nos derrotar com base em mentiras" ao criticar as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Lula classificou as medidas como um "erro estratégico" e reafirmou que o Brasil não aceitará "interferência externa, nem subserviência".
No texto, Lula recordou que, há um ano, foi surpreendido com a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos do Brasil e apontou que a referência de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, revela a motivação política por trás das tarifas. O presidente também mencionou que negociações entre os dois governos e decisões da Suprema Corte dos EUA conseguiram reverter a primeira versão da tarifa, mas mesmo assim, novas taxas foram implementadas entre 12,5% e 37,5%, apesar de várias reuniões e documentos apresentados ao presidente norte-americano.
Lula criticou a injustiça das novas tarifas, que, segundo ele, prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, afirmando que a indústria americana depende de insumos brasileiros. Ele alertou que isso pode elevar os preços de produtos como alimentos, calçados, têxteis, móveis e autopeças nos EUA.
O artigo ainda traz dados que demonstram o impacto das tarifas nas relações comerciais entre os dois países. As exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançaram seu menor nível desde 1997, e comparando o primeiro semestre de 2025 com o de 2026, o comércio bilateral caiu 12,8%. Em contrapartida, as trocas comerciais do Brasil com a União Europeia cresceram 6,1%, enquanto as com a China avançaram 15,9%.
Na avaliação de Lula, a continuidade das tarifas poderá desorganizar cadeias produtivas que envolvem ambos os países, levando empresas brasileiras a buscar novos fornecedores em outros mercados. O presidente também fez críticas à política externa dos EUA em relação à América Latina, afirmando que a região não precisa de "porta-aviões rondando suas águas nem de punições tarifárias", mas sim de "parceiros confiáveis e previsíveis".
Ao responder às críticas de Trump, Lula considerou as alegações como "infundadas" e ressaltou que a liberdade de expressão não deve justificar crimes nas plataformas digitais. Ele também destacou que o sistema de pagamentos Pix não discrimina empresas norte-americanas e mencionou a redução do desmatamento promovida pelo governo desde 2023.



