A avaliação entre membros do governo atual sugere que há uma confiança excessiva na vitória nas próximas eleições. Em vez de apresentar um plano abrangente para o futuro, a presidência e os ministros têm se limitado a afirmar que as políticas continuarão as mesmas. Esse comportamento pode ser considerado um erro, uma vez que nenhuma eleição é decidida com antecedência, mesmo com o favoritismo do presidente Lula.
Um dos aspectos que gera preocupação entre economistas é o desequilíbrio fiscal do país. Embora o déficit primário tenha diminuído em comparação aos quatro anos anteriores, a PEC da Transição trouxe um contexto diferente para a gestão atual. Tradicionalmente, as administrações costumam restringir gastos nos primeiros anos para depois aumentar. No entanto, nesta gestão, houve um relaxamento fiscal significativo logo no início. O governo alega que herdou um orçamento inviável, com despesas não contabilizadas. O governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro, aumentou benefícios sociais durante a eleição sem considerar os novos patamares de gastos no Orçamento de 2023, o que levou à necessidade da PEC da Transição.
Outro ponto crítico é o aumento expressivo das despesas previdenciárias, que se elevaram devido à retomada dos aumentos reais do salário mínimo, ao qual a maioria dos benefícios está vinculada. O novo arcabouço fiscal foi implementado para substituir o antigo teto de gastos, que se mostrava insustentável. Contudo, ao retirar gastos da conta final, o próprio arcabouço corre o risco de perder a credibilidade.
Em conversas com o mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, teria sinalizado a possibilidade de endurecer as regras do novo arcabouço fiscal. Reportagens indicam que ele pode propor uma redução no ritmo de crescimento do teto de gastos, atualmente em 2,5%, para 1,5% ou 2%. Essa mudança, embora necessária, pode ser considerada insuficiente e tardia, evidenciando a necessidade de um programa mais robusto.
A situação política também se complica com a presença de candidatos alinhados à direita. O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, busca se posicionar como uma alternativa ao antipetismo, enquanto o candidato do Novo, Romeu Zema, se concentra em defender seu partido, que pode perder espaço no legislativo. Nos próximos dois meses, o cenário político deve passar por movimentações significativas.
A formulação do programa eleitoral foi confiada a figuras históricas do partido, ao invés de buscar ampliar o apoio entre aliados, um movimento essencial considerando as ameaças à democracia que o governo deverá enfrentar novamente. O debate e a divulgação das propostas ainda carecem de visibilidade, e os interlocutores demonstram perplexidade ao notar que falam sobre o próximo ano como se a eleição não fosse uma realidade iminente. Essa postura remete ao comportamento do governo anterior, que se mostrava confiante em uma continuidade assegurada, mas acabou derrotado. No atual cenário, a vitória nas eleições ainda precisa ser conquistada, e a certeza de resultados não deve ser subestimada em uma democracia.



