A morte de Thaliton Henrique Dias Machado, ocorrida em Trindade, levanta questões sobre um possível envolvimento do pai, Ozanan Ananias Martins, de 59 anos, em um mistério familiar que se arrasta há duas décadas. A Polícia Civil investiga se o homicídio está relacionado ao desaparecimento da mãe de Thaliton, Aparecida Almeida Dias, que sumiu há aproximadamente 20 anos. Relatos indicam que Thaliton acreditava que seu pai poderia estar envolvido no caso e ameaçava denunciá-lo caso não recebesse uma dívida de cerca de R$ 50 mil.
O delegado Tiago Escandolhero, que lidera a investigação, aponta que essa dívida seria a motivação para que Ozanan supostamente contratasse um executor para matar o filho, pagando R$ 15 mil pelo crime. Thaliton foi assassinado a tiros na noite de 23 de janeiro deste ano, enquanto se dirigia à horta da chácara onde residia, sendo surpreendido pelo autor do disparo.
Durante as investigações, a viúva de Thaliton informou aos policiais que o marido tinha plena convicção de que o pai estava por trás do desaparecimento de Aparecida. Thaliton frequentemente mencionava a cobrança da quantia de R$ 50 mil ao pai e afirmava que, caso não recebesse, procuraria as autoridades para contar o que sabia. O desaparecimento de Aparecida Almeida Dias permanece sem solução, e a polícia não possui provas materiais que confirmem o que aconteceu com ela.
As investigações também trouxeram à tona relatos de que, na época do desaparecimento, Ozanan levou a esposa e seus três filhos pequenos para uma chácara, onde teria ocorrido uma discussão entre o casal. As crianças foram deixadas trancadas em um quarto enquanto os pais saíram, e Thaliton, ainda criança, chegou a ouvir um grito de socorro feminino pouco antes do sumiço da mãe.
Os investigadores tentam localizar o boletim de ocorrência registrado na época para entender como o caso foi tratado, com suspeitas de que o desaparecimento foi apenas registrado como tal, sem um devido processo judicial. Além de Ozanan, Simone Viana Silva também foi presa, assim como o suposto executor do crime, durante a apuração que ocorreu em Senador Canedo, onde estavam planejando deixar a cidade.
A Polícia Civil afirma que a falta de um processo legal na época pode dificultar a punição por parte das autoridades, considerando que o caso tem cerca de 20 anos. A investigação continua em busca de mais informações sobre o desaparecimento de Aparecida e as circunstâncias que cercam a morte de Thaliton.



