O afastamento da juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal de Curitiba, por dois anos, decidido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), gerou repercussão entre figuras ligadas à Operação Lava Jato. O senador Sérgio Moro (PL-PR) e o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) se manifestaram contra a decisão, que ocorre em meio a um processo administrativo disciplinar relacionado à homologação de um acordo entre a Força-Tarefa da Lava Jato e a Petrobras, homologado em 2019.
Gabriela Hardt foi responsável por conduzir investigações da Operação Lava Jato após a saída de Sérgio Moro do cargo de juiz. O acordo que ela homologou previa a devolução de R$ 2 bilhões que haviam sido desviados da estatal e que estavam nos Estados Unidos. No entanto, o contrato foi posteriormente considerado ilegal pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que motivou o processo no CNJ.
Com a decisão do CNJ, a juíza foi condenada à pena de disponibilidade, o que implica em redução de seus vencimentos durante o período de afastamento. No momento, Gabriela ocupa o cargo de juíza substituta na 23ª Vara Federal em Curitiba.
Sérgio Moro, em suas redes sociais, defendeu a juíza, a descrevendo como “corajosa” e afirmando que seu afastamento ocorreu sem causa justificada. Ele criticou a atuação do CNJ, mencionando que a juíza desagradou a “poderosos” e confrontou a “arrogância” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante audiências. Moro expressou a visão de que a atual realidade judicial é marcada por covardia e inversão de valores.
Deltan Dallagnol, que também se manifestou sobre o afastamento, ressaltou a importância da atuação de Gabriela no processo que levou à condenação de Lula no caso do sítio de Atibaia, mencionado como um ponto central de sua crítica ao CNJ. Ele argumentou que a punição da juíza não se baseou em condutas corruptas, mas sim na homologação de um acordo da Lava Jato, alertando para a inversão de papéis em que aqueles que atuaram na investigação estão sendo punidos.
A defesa da juíza, representada pela advogada Ana Luísa Vogado de Oliveira, também se manifestou, defendendo que Gabriela Hardt agiu sem vieses ou interesses pessoais, e que sua decisão foi uma interpretação legítima do contexto jurisdicional. Ana Luísa argumentou que erros nos autos devem ser corrigidos através de mecanismos adequados e não por meio de sanções como a imposta ao CNJ.



