A trajetória de Amarildo Tavares da Silveira, bicampeão mundial com a seleção brasileira, ganhou destaque nas últimas semanas devido a informações sobre sua saúde. O ex-atleta, que atualmente tem 89 anos, está internado no Rio de Janeiro desde 2023, após sofrer três AVCs. Em 2011, Amarildo foi diagnosticado com um tumor maligno na garganta, e em 2018 foi constatado que ele apresenta Alzheimer, um quadro que tem se agravado ao longo do tempo.
Infelizmente, como frequentemente acontece no Brasil, Amarildo tem sido esquecido, mesmo após ter desempenhado um papel crucial na Copa de 1962, realizada no Chile. Ele se destacou como substituto de Pelé a partir do terceiro jogo da fase de grupos, que aconteceu contra a Espanha. O Rei do Futebol se machucou na partida anterior, contra a Tchecoslováquia, e coube ao talentoso jogador do Botafogo assumir a responsabilidade. Com apenas 22 anos, Amarildo não apenas aceitou o desafio, mas se destacou, sendo chamado de “possesso” por Nelson Rodrigues.
Além de marcar dois gols na virada sobre a Espanha, Amarildo também foi fundamental ao fazer o gol de empate contra a Tchecoslováquia na final do torneio. Sua carreira não se restringiu apenas ao Botafogo; ele também atuou por Flamengo e Vasco. Nascido em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em 1939, o atleta teve uma passagem notável pela Itália, jogando por clubes como Milan, Fiorentina e Roma.
Amarildo sempre ressaltou a importância da união entre os jogadores. Em suas palavras: “O grupo era muito unido, cada um era amigo um do outro, não tinha panelinha, não tinha grupinho. Todo mundo igual. Isso também ajudou muito a seleção.” Após ser escolhido como substituto de Pelé, o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, conversou intensamente com Amarildo, convencendo-o de que ele poderia ser o novo camisa 10.
Embora sua performance na Copa tenha sido impressionante, o brilho de sua participação pode ter sido ofuscado por Garrincha, que assumiu a responsabilidade pela ausência de Pelé. Vasculhando os arquivos da Jovem Pan, foi encontrada uma entrevista de Amarildo concedida a Flávio Prado em 2012, quando o bicampeonato mundial completou cinquenta anos.



