A Guarda Revolucionária do Irã anunciou neste domingo (9) que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos aceitem as condições estabelecidas por Teerã. Essas condições incluem compensações financeiras pelos danos causados pela guerra, sendo a passagem uma rota estratégica que, antes do conflito, representava cerca de 20% do transporte global de petróleo.
O fechamento efetivo da passagem se intensificou após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã no final de fevereiro. Desde então, Teerã implementou restrições à navegação, ameaçou cobrar pedágios de embarcações e realizou ataques contra navios que, segundo a Guarda Revolucionária, tentam utilizar rotas alternativas.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que as negociações com Omã, que envolvem a administração da navegação no estreito, estão se aproximando de uma conclusão. Contudo, a retomada do tráfego no local depende de outras condições, incluindo uma indenização relacionada ao que o Irã considera uma violação de um acordo assinado em junho.
Araghchi também negou que haja negociações diretas entre Teerã e Washington, afirmando que a comunicação ocorre apenas por meio de intermediários. Além da compensação financeira, o Irã exige que os Estados Unidos se comprometam a não ameaçar mais o país e a encerrarem as ações militares na região. Teerã também cobra o fim dos ataques contra seus aliados em diferentes países, como Líbano, Palestina, Iémen e Iraque.
Entre as exigências também estão o término do bloqueio naval aos portos iranianos, a retirada das tropas americanas da área, a suspensão das sanções econômicas e a liberação de ativos iranianos que estão congelados. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã reafirmou que não abrirá mão dessas exigências, e Washington precisará demonstrar uma mudança efetiva em sua postura. Até o momento, o governo americano ainda não apresentou uma resposta pública a essas condições.
A tensão no tráfego marítimo continua alta, com Os Emirados Árabes Unidos acusando o Irã de ter atingido um petroleiro com um míssil próximo à costa de Omã, resultando em um incêndio que foi controlado. A responsabilidade pelo ataque não foi diretamente atribuída ao Irã, mas Omã condenou os ataques contra embarcações que transitam pela região, destacando que as negociações sobre a navegação seguem em um ambiente considerado "positivo e construtivo".



