No dia 16 de setembro, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lançaram oficialmente suas campanhas para a Presidência da República, utilizando seus discursos para criticar o adversário e defender visões opostas para o futuro do Brasil. O evento de Lula ocorreu Em São Bernardo do Campo, no estádio 1º de Maio, onde o ex-presidente fez um discurso nostálgico, relembrando sua história como líder sindical e mencionando conquistas de seus mandatos.
Durante sua fala, Lula expressou que sentiu uma emoção ainda maior do que em 1979, quando discursou pela primeira vez no mesmo local. Ele também recordou a greve de 41 dias dos metalúrgicos em 1980 e momentos pessoais marcantes, como a perda de sua mãe e a impossibilidade de estar presente no enterro do irmão em 2019. O ex-presidente afirmou que não mentiria para seus eleitores e criticou a direita brasileira, responsabilizando-a por 400 mil mortes durante a pandemia de Covid. Lula destacou que seu governo gerou dez milhões de empregos, enquanto o governo anterior teria criado apenas dois.
Na área de segurança, Lula prometeu combater líderes do crime organizado e defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública. Em seu discurso, ele também abordou a transposição do Rio São Francisco, a importância da educação e a industrialização de terras raras, enfatizando a necessidade de transformar esses recursos em vez de exportá-los em estado bruto.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro abriu sua campanha sob o lema “O Brasil vai vencer” e reativou pautas ligadas ao bolsonarismo. O senador defendeu medidas como a castração química para estupradores e a redução da maioridade penal. Ele também se comprometeu a classificar organizações criminosas, como o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, criticando a abordagem do governo Lula em relação à segurança pública.
Nos discursos, ambos os candidatos fizeram referências diretas um ao outro. Lula centrou suas críticas na direita e na gestão anterior, enquanto Flávio direcionou seus ataques ao atual presidente, destacando propostas voltadas para a segurança e a atuação do Estado. As características dos eventos também foram distintas, com Lula sendo acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pela primeira-dama Janja da Silva e pelo candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, além de contar com a presença de sindicalistas e da cantora Fafá de Belém, que entoou o Hino Nacional.
Flávio, em seu ato, enfatizou sua conexão política com o ex-presidente Jair Bolsonaro e reiterou pautas tradicionais do bolsonarismo. Em uma analogia ao futebol, ele afirmou que é "difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé", referindo-se à comparação entre sua candidatura e a trajetória política de seu pai.



