A PC-PR (Polícia Civil do Paraná) prendeu os principais suspeitos da chacina de Icaraíma, no Noroeste do Paraná, que terminou com a morte de quatro homens durante uma cobrança de dívida. Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, estavam foragidos havia mais de um ano e foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, no interior de São Paulo.
Os dois são apontados pela investigação como suspeitos de participação nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza. Os quatro foram assassinados em agosto de 2025, depois de viajarem de São José do Rio Preto (SP) até Icaraíma para cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo.
Antônio e Paulo Ricardo estavam na lista vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente. Segundo a PC-PR, os suspeitos foram encontrados após um trabalho de inteligência que incluiu levantamentos e monitoramento dos possíveis locais onde poderiam estar escondidos.
Durante a prisão, pai e filho tentaram fugir e foram perseguidos pelos policiais em uma área de mata. Os dois acabaram capturados e serão encaminhados para Umuarama, no Noroeste do Paraná.
“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, afirmou o delegado Thiago Teixeira, da PC-PR.
Além dos dois, Carlos Henrique Buscariollo, filho de Antônio, foi preso em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Carlos Eduardo Buscariollo, outro filho de Antônio, também era alvo da operação, mas já estava detido em São Bernardo do Campo (SP), por tráfico de drogas.
A polícia afirma que ainda existem outras pessoas que podem ter participado do crime. Os nomes, contudo, não foram divulgados.
As quatro vítimas foram até Icaraíma em agosto do ano passado para cobrar uma dívida relacionada à negociação de uma propriedade rural. Segundo a investigação, Alencar teria vendido uma área à família Buscariollo por R$ 255 mil. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil, mas nenhuma parcela teria sido quitada.
Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto para encontrar Alencar e participar da cobrança. No dia 4 de agosto de 2025, os quatro estiveram no distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Na ocasião, a família teria oferecido uma casa localizada na área urbana como forma de pagamento, mas não houve acordo.
Na manhã seguinte, uma câmera de segurança de uma panificadora registrou os quatro homens juntos pela última vez. De acordo com a investigação, eles ainda conversaram com familiares por telefone por volta do meio-dia.
A polícia acredita que, aproximadamente às 12h30, os quatro retornaram à propriedade rural ligada aos suspeitos e foram surpreendidos por uma emboscada. A partir desse momento, os investigadores passaram a considerar a hipótese de que os homens tenham sido mortos no local.
No dia 6 de agosto, a esposa de Robishley procurou a polícia em São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos. Naquele momento, os familiares ainda não tinham conhecimento de que os quatro haviam sido assassinados.
Os corpos foram encontrados mais de um mês depois, enterrados em uma estrutura subterrânea construída na propriedade. A localização dos cadáveres foi um dos principais pontos da investigação para reconstruir a dinâmica do crime.
A defesa de três dos suspeitos afirmou que aguarda a audiência de custódia e que pretende apresentar elementos para contestar a participação de Carlos Henrique Buscariollo no caso.
Segundo o advogado Renan Farah, que representa Antônio, Paulo e Carlos Henrique, a audiência de custódia deverá analisar a legalidade das prisões e a necessidade de manutenção das detenções durante o andamento do processo.
A defesa sustenta ainda que Carlos Henrique não estava na cidade no período em que ocorreram os homicídios e afirma possuir elementos para comprovar essa versão. O advogado também declarou que pretende ter acesso integral ao processo para conhecer as provas utilizadas para fundamentar as prisões.
A PC-PR continua investigando o caso para identificar todos os envolvidos e esclarecer a participação individual de cada suspeito na morte dos quatro homens.
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