O estado de saúde de Jamal Musiala, jogador do Bayern de Munique, gerou preocupações após a ocorrência de dois colapsos em poucos dias. Musiala apresenta crises de ausência, que são episódios breves associados a uma forma de epilepsia. Em uma entrevista à revista ‘Kicker’, o professor emérito Dr. Christian Elger, especialista em epileptologia, esclareceu a natureza da condição e as opções de tratamento disponíveis.
Elger, que tem 76 anos e acumula 50 anos de experiência na área, dirige o departamento de epileptologia da Clínica Beta, em Bonn. De acordo com o neurologista, as evidências disponíveis indicam que Musiala sofre de crises de ausência, que já ocorrem há algum tempo. Elger destaca que essas crises representam uma forma específica de epilepsia, mas que as causas podem variar entre os pacientes, exigindo uma análise cuidadosa de cada caso.
O neurologista explica que as crises de ausência são uma condição complicada de descrever, devido à sua definição baseada em sintomas. Ele menciona que, caso se trate realmente de crises de ausência, a condição pode ter uma base genética. "A condição é caracterizada por uma ampla gama de causas que devem ser investigadas individualmente", afirma o especialista.
Elger também observa que existem diversas variantes da epilepsia, e muitas delas podem ser tratadas com sucesso. "Algumas formas começam na infância e podem desaparecer na puberdade, e cerca de noventa por cento dos pacientes conseguem ficar livres das crises com o tratamento adequado", comenta.
Em relação ao futuro de Musiala no futebol, Elger acredita que jogadores com esse diagnóstico podem continuar suas atividades esportivas, desde que observadas certas condições. "Se ele não tiver convulsões, o diagnóstico estiver correto e o EEG (eletroencefalografia) for normal, então ele pode jogar", explica.
Um ponto importante discutido na entrevista é a dificuldade em prever novos episódios. Elger esclarece que não é possível determinar quando uma convulsão ocorrerá, mesmo utilizando as tecnologias mais modernas. A previsão só pode ser feita segundos antes do início do episódio e requer um esforço técnico significativo. Por isso, não é viável prever a ocorrência de uma nova crise.



